O vencedor da corrida à EDP é a China Three Gorges, disse ao Expresso fonte governamental.
A identidade do ganhador do concurso foi confirmada pela Parpública num comunicado enviado à CMVM. A China Three Gorges aceitou assim as condições impostas pelo Governo no decorrer das negociações.
A empresa gestora de participações públicas refere que "a referida alienação será efetuada pelo preço global de 2,69 mil milhões de euros, incorporando um prémio de 53,6% em relação ao preço de mercado no dia 21 de dezembro", em que a elétrica portuguesa fechou a valer 2,246 euros.
De acordo com o comunicado, o Conselho de Ministros procedeu hoje à seleção da China Three Gorges Corporation "para efetuar a aquisição da totalidade das 780.633.782 ações representativas de 21,35% do capital social da EDP, que constituem objeto da venda direta de referência relativa à 8.ª fase do processo de privatização da EDP, atendendo ao maior mérito da respetiva proposta vinculativa apresentada em 9 de dezembro, a qual observa, em termos que satisfazem adequadamente o Governo, os critérios de seleção".
A Secretária de Estado do Tesouro garantiu que escolha da China Three Gorges foi feita com base em critérios rigorosos.
Em fases diferentes do processo, todos os três principais candidatos foram considerados favoritos à compra de 21,35% da EDP, a primeira grande privatização de um conjunto de operações de alienação de empresas ou participações públicas em empresas impostas pela troika.
Mas só podia vencer um. Ganhou a chinesa Three Gorges, apontada como a oferta mais alta em termos de valor, e foram derrotadas a alemã E.ON e as brasileiras Eletrobras e Cemig.
Luta foi dura e feita a vários níveis
O Estado vai encaixar 2,7 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre. O recorde anterior tinha sido batido igualmente pela EDP, quando em 1998 a privatização da elétrica tinha rendido 2,4 mil milhões de euros.
Foi a Three Gorges quem ofereceu mais dinheiro, 2,69 mil milhões de euros, seguida da Eletrobras (2,56 mil milhões de euros) e da E.ON (2,54 mil milhões de euros).
Os quatro candidatos - E.ON, China Three Gorges, Eletrobras e Cemig - estavam a postos desde as 9h de hoje para responder a qualquer questão do Conselho de Ministros, onde foi feita a escolha do candidato vencedor.
Nas últimas semanas a luta pela vitória na privatização foi dura e fez-se a vários níveis, inclusive político, com um elevado nível de contra-informação. A pressão sobre os candidatos aumentou quando se tornou público que o conselho geral de supervisão da EDP, onde têm assentos os grandes acionistas da elétrica, votaram a favor das propostas da E.ON e da ChinaThree Gorges, chumbando as das brasileiras Eletrobras e Cemig.
Propostas dos três principais candidatos:
CHINA THREE GORGES
- Oferta de 2,69 mil milhões de euros (3,45 euros por ação) pelos 21,35% - Cedência de uma linha de crédito de 2 mil milhões de euros, concedida pelo banco chinês CDB. Promessa de uma linha adicional de 2 mil milhões euros
- Controlo de apenas 21,35% da EDP, com a possibilidade de comprar os restantes cerca de 4% detidos pelo Estado
- Compra de participações minoritárias em parques eólicos da EDP Até 2 mil milhões de euros
- Construção de uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal até ao verão de 2013
E.ON
- Oferta de 2,54 mil milhões de euros (3,25 euros por ação) pelos 21,35%
- Propõe entregar uma das participadas na área da geração e distribuição elétrica (incluindo centrais termoelétricas e a carvão) em Espanha, no montante de 1,8 mil milhões de euros, em troca de uma posição direta na EDP
- Compromisso de financiamento da EDP na ordem dos 400 milhões de euros
-Compra de participações minoritárias em parques eólicos da EDP
- Criar um centro de investigação e desenvolvimento de energia renovável em Portugal
ELETROBRAS
- Oferta de 2,56 mil milhões de euros (3,28 euros por ação) pelos 21,35%
- Pedido do aumento do limite do uso dos direitos de voto de 20% para 32%
- Realização de um acordo parassocial com um ou mais acionistas da EDP por forma ficar com uma posição de controlo, mas inferior a 33,33% do capital, limite para o lançamento da OPA
- Compra de participações minoritárias em parques eólicos da EDP, num investimento que poderá ir até aos mil milhões de euros