A dissidente uigur no exílio Rebiya Kadeer afirma que a Polícia matou 400 membros da sua comunidade étnica em Urumqi, onde, segundo as autoridades chinesas, 156 pessoas morreram nos confrontos de domingo à noite.
A dirigente do Congresso Mundial Uigur (CMU) escreve no diário "Wall Street Journal Asia" que 400 uigures, muçulmanos turcófonos, foram abatidos por "tiros da Polícia e depois de terem sido espancados" na capital da região autónoma de Xinjiang, no domingo à noite.
Rebiya Kadeer cita fontes uigures no "Turquestão oriental", nome que os militantes muçulmanos utilizam para designar aquela região do noroeste da China. Escreve ainda que os tumultos se estenderam a outras zonas do Xinjiang e nomeadamente a Kashgar, no extremo oeste, onde relatos não confirmados deram conta de 100 mortos.
A presidente do CMU denuncia também medidas de segurança dirigidas aos uigures quando, segundo essas fontes, "as autoridades chinesas estão a efectuar buscas casa a casa e a prender homens uigures".
As autoridades chinesas estabeleceram um balanço de 156 mortos e 1.080 feridos em Urumqi, sem fazerem distinção étnica entre as vítimas nem dar outros pormenores, e anunciaram a detenção de mais de 1.400 pessoas ligadas aos incidentes.
A China acusa Rebiya Kadeer, 62 anos, que vive exilada nos Estados Unidos desde 2005, de ter fomentado os tumultos, o que ela desmente. No jornal, a dirigente uigur repete que os acontecimentos degeneraram depois das autoridades terem reagido com "excesso de força" a uma manifestação inicialmente pacífica e afirma condenar inequivocamente "o recurso á violência por certos uigures durante a manifestação, tal como o recurso à força excessiva pela China contra os manifestantes".
Devido à situação na região de Xinjiang, o Presidente chinês, Hu Jintao, cancelou a sua participação na cimeira do G8, que começa hoje em Itália, onde já se encontrava, e adiou a visita que deveria efectuar sexta-feira e sábado a Portugal.