Uma nova campanha de "educação patriótica" irá decorrer ao longo de dois meses na capital tibetana, Lhasa, e nas zonas rurais circundantes, anuncia hoje o jornal "Diário do Tibete".
Membros do Partido Comunista Chinês vão realizar sessões de "esclarecimento" sobre os protestos pró-independentistas ocorridos a 14 de Março, procurando denunciar as intenções do Dalai Lama e fortalecer a relação dos tibetanos com o regime chinês.
Há mais de uma década que a China tem realizado este tipo de campanhas no Tibete, nas quais os monges budistas são pressionados a denunciar o seu líder espiritual, Dalai Lama, e a declarar lealdade a Pequim. Observadores consideram que este tipo de acções acaba por incentivar novos protestos.
Sob o slogan "Opor ao separatismo, proteger a estabilidade, encorajar o desenvolvimento", a nova campanha irá recorrer a vídeos e fotografias, convidando aqueles que participaram nos protestos de Marços a falar, ao mesmo tempo que irão ter lugar sessões de denunciamento. Os media estatais chineses têm acusado o Dalai Lama de pretender separar o Tibete da China e sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, caracterizando o Tibete pré-comunista como feudal e não respeitador dos direitos humanos
Em Março o Tibete conheceu a maior onda de protestos das últimas duas décadas. Os monges começaram por se manifestar pacificamente em Lhasa, mas dias depois os protestos deram lugar à violência. A China diz que 22 pessoas morreram, a 14 de Março na capital tibetana, quando centenas de lojas foram vandalizadas e chineses atacados. O Governo de Dalai Lama no exílio recusa qualquer ligação às cenas de violência, afirmando que a reacção chinesa levou à morte de mais 140 pessoas.
Durão Barroso em Pequim
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, vai discutir com o primeiro-ministro Wen Jiabao a repressão da China aos protestos no Tibete,
durante a sua visita a Pequim esta semana, disse à Lusa um diplomata europeu.
"É como ter uma vaca na sala de estar. Seria impossível Durão Barroso vir à China e não falar na questão tibetana", disse o diplomata, da representação da União Europeia (UE) na China, que pediu o anonimato por questões de protocolo.
Um comunicado da representação da UE em Pequim, que anuncia para esta quinta e sexta-feira a visita de Durão Barroso à China, diz também que no encontro com o primeiro-ministro chinês, "serão também discutidas as questões relacionadas com os
direitos humanos e a liberdade de expressão".