A partir do próximo ano será possível visitar a área, até agora interdita, à volta da antiga central nuclear de Chernobyl. O Governo ucraniano pretende criar rotas seguras para ucranianos e turistas e que estas possam também ser informativas.
A revelação foi feita pela ministra de Situações de Emergência, Yulia Yershova, que contou que os percursos estão a ser delineados por peritos, numa área de 48 quilómetros, cuja entrada tem sido proibida desde a explosão em 1986. Apesar de estarem disponíveis já no próximo ano, ainda não existe uma data definida para abertura aos visitantes desses percursos.
Atualmente existem algumas empresas que oferecem visitas às zonas expostas a altos níveis de radiação, mas o Governo diz que estas são ilegais, já que não são asseguradas as condições de segurança dos turistas.
Nesta área, que em breve irá estar aberta a todos e é conhecida pelas vilas e florestas desprovidas de vida, apenas os cerca de 2500 trabalhadores que cuidam da ex-estação nuclear - e fazem-no em turnos de poucas horas para evitar a exposição prolongada - são presença regular no cenário que marcou a (curta) história da energia nuclear.
História triste como alerta
Helen Clark, a responsável pelo Programa de Desenvolvimento da ONU, visitou o reator nuclear este fim de semana e apoia o projeto que pretende contar uma história importante sobre a segurança nuclear.
"Há uma oportunidade de contar uma história e o processo de contar uma história, mesmo que seja uma história triste, é algo positivo em termos económicos e na transmissão de mensagens importantes", disse Clark à Associated Press.
Apesar de permitir a entrada em diversas áreas que envolvem a estação nuclear, outras continuarão interditas dado o alto nível de radiação ainda presente em Chernobyl. Também o reator nº 4, o que explodiu em 1986, tem libertado do seu interior pequenas quantidades de radiação, já que a cúpula que tapou o reator após o acidente demorou apenas dois dias a ser reconstruída e está atualmente em más condições, ameaçando ruir.
A ministra Yulia Yershova adiantou que a nova proteção para conter a radiação acumulada no interior do reator estará pronta em 2015 e irá ser colocada sobre a atual cúpula danificada. Terá um tamanho suficiente para cobrir a Catedral de Notre Dame ou a Estátua da Liberdade. O custo total desta operação, financiado por doações internacionais, irá custar cerca de 870 milhões de euros.
A explosão do reator nº 4 de Chernobyl, na Ucrânia, ocorreu no dia 26 de abril de 1986. Rapidamente, a radiação espalhou-se até zonas da Rússia e Bielorrússia e mais tarde a outros países do norte da Europa. Ainda hoje se fazem sentir os efeitos do maior acidente nuclear e a presença de radiação no solo de Chernobyl é uma certeza durante as próximas centenas de anos.