O secretário-geral de CGTP, Carvalho da Silva, destacou hoje a "elevadíssima e diversificada" adesão dos trabalhadores à greve geral, maior do que há um ano, alertando para o facto de se estar perante um "profundo e perigosíssimo retrocesso social" .
"A adesão é diversificada. Visitamos muitos locais, caso do principal parque de produção industrial do país, em Palmela, onde está instalada a Autoeuropa e outras empresas, sendo a adesão [à greve] elevadíssima, maior do que há um ano, e isso é um sinal importante", disse à agência Lusa líder da CGTP.
Carvalho da Silva, que está a fazer um périplo por diversos locais onde os trabalhadores estão em greve, realçou que este protesto geral "traz ao de cima contradições grandes na sociedade portuguesa, que vão ter de ser ultrapassadas, para que Portugal não tenha um profundo e perigosíssimo retrocesso social e civilizacional".
Adesões importantes no privado
O líder da CGTP realçou ainda que "há adesões diversas" pelo país: "Os portos não estão a funcionar, a aviação civil, o metropolitano, as ligações fluviais, além dos transportes e outros serviços, desde o Minho a outras regiões", havendo igualmente a destacar as "adesões importantes"
de empresas privadas.
Nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto, autocarros e metropolitanos estão praticamente paralisados, havendo também fortes constrangimentos nas ligações ferroviárias a nível do país. A TAP cancelou mais de uma centena de voos.
Durante a primeira metade do dia registaram-se alguns incidentes, designadamente com o arremesso, por desconhecidos, de "cocktails molotov" e latas com tinta contra três repartições de Finanças em Lisboa.
Polícia chamada a intervir
A GNR foi também chamada a intervir junto de piquetes de greve que tentavam impedir a circulação de comboios em Anadia e Penafiel. A PSP teve de afastar piquetes de greve que bloqueavam a circulação de autocarros, nomeadamente junto à saída da estação da Carris na
Musgueira, em Lisboa.
Além dos transportes, os efeitos da greve geral, a segunda conjunta convocada por CGTP e UGT, estão também a fazer-se sentir junto de escolas, hospitais e centros de saúde, tribunais, autarquias e outras repartições do Estado, afetando ainda alguns setores privados, em especial na indústria.