O recém-eleito secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, desvalorizou hoje as 28 abstenções na votação que lhe atribuiu o cargo à frente da Intersindical e justifica que a central "é uma organização plural" e não "um projeto individual".
"Parece que estamos a fazer desta votação uma votação em torno de uma pessoa e isto não é um projeto individual, é um projeto coletivo que tem um Conselho Nacional, que tem uma Comissão Executiva e dentro [deste órgão] aparece um secretário-geral que apenas e só tem de coordenar o trabalho coletivo, não é órgão e isto não se pode individualizar, tem de ser visto numa perspetiva coletiva", afirmou Arménio Carlos.
Ao fim de quase três horas de reunião do novo Conselho Nacional, eleito na sexta-feira à noite no XII Congresso da CGTP, Arménio Carlos foi designado esta madrugada o novo secretário-geral da central sindical para o próximo quadriénio com 113 votos a favor e 28 brancos, sucedendo assim a Manuel Carvalho da Silva, que abandona o cargo por uma questão de idade.
Quanto às abstenções, o novo dirigente diz-se confortável e que tal "só demonstra que dentro da CGTP há diversas formas de pensar, de agir e de votar, isso é natural".
Secretário-geral desvaloriza abstenção
"Não houve votos contra, houve abstenções e não há problema nenhum, isso até é um desafio", enfatizou.
E concretizou: "Ou seja, provar efetivamente que esses votos que foram de abstenção, amanhã serão votos de apoio".
Por isso, Arménio Carlos interpreta "com toda a naturalidade" a decisão dos elementos que decidiram abster-se na votação, pois "faz parte de um jogo democrático" Argumentou ainda que "a CGTP é uma organização plural, tem várias opiniões e elas manifestam-se" e reforçou que "este projeto da CGTP vale sobretudo pelo sou todo", garantindo que a central "continuará nessa linha".
Arménio Carlos, 56 anos, substitui Manuel Carvalho da Silva, mas sem a perspetiva de uma liderança tão longa: a manter-se a regra da idade, não poderá cumprir mais de dois mandatos, num total de oito anos.
Manuel Carvalho da Silva, 63 anos, está na direção da Intersindical desde janeiro de 1977 e como secretário-geral desde 1986. Vai dedicar-se ao ensino e investigação na área das ciências sociais.
Há quatro anos, Carvalho da Silva foi reeleito com 120 votos favoráveis, 11 brancos e quatro nulos.