Cessar-fogo na Síria é "muito frágil"
A situação no terreno na Síria "não é boa", considerou hoje o porta-voz do enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, sublinhando por outro lado que o cessar-fogo "é muito frágil".
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"A situação no terreno não é boa". É um cessar-fogo muito frágil", declarou Ahmad Fawzi durante uma conferência de imprensa, sublinhando que todos os dias há novas "vítimas".
Enquanto a violência continua, o governo sírio assinou na quinta-feira um acordo preliminar sobre o protocolo que enquadra o trabalho dos observadores enviados pela ONU para verificarem o cessar-fogo.
Este acordo refere-se aos membros da equipa avançada e da missão completa, precisou em Genebra Fawzi, explicando que a da parte da ONU e de Damasco não haveria necessidade de renegociar as modalidades de destacamento. Segundo este acordo, os observadores dispõem de completa liberdade de movimentos e podem contactar todas as pessoas que quiserem, anunciou.
O porta-voz de Kofi Annan precisou que de momento a equipa avançada conta com sete membros no terreno. "Mais dois chegam na segunda-feira", anunciou.
Outros devem ainda chegar durante a semana, adiantou, explicando por outro lado que espera que o Conselho de Segurança dê o mais rapidamente possível luz verde para o envio da missão completa de observadores, composta por 300 pessoas.
"Nós estamos a preparar o destacamento porque pensamos que vai ser aprovada", disse ainda Fawzi.
Explosão mata 10 membros das forças de ordem
Dez membros das forças da ordem foram mortos hoje numa explosão perpetrada "por terroristas" na região de Quneitra, no sul da Síria, informou a televisão pública.
"Um grupo terrorista armado fez explodir uma carga de 100 quilogramas em Sahm al-Jolane na região de Quneitra, matando dez membros das forças da ordem", precisou o canal estatal.
A agência oficial Sana tinha já noticiado a morte de três membros das forças da ordem em Deraa (sul), Hama (centro) e Alepo (norte), onde um civil também morreu, atribuindo estas mortes a "grupos terroristas armados" que "violam o plano do emissário internacional Kofi Annan".
Observadores internacionais vigiam cessar-fogo
Estes incidentes ocorrem quando uma equipa de observadores internacionais se encontra em Damasco para vigiar o cessar-fogo instaurado a 12 de abril pelo plano Annan que visa pôr fim a 13 meses de violência durante os quais morreram mais de 11 mil pessoas, de acordo com a Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Esta primeira equipa restrita está no terreno para contactos e para preparar uma missão completa. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, defendeu que a missão deverá ter 300 observadores "para um período inicial de três meses".
A Síria vive desde março de 2011 uma revolta popular que se tem transformado em conflito armado. O regime não reconhece a dimensão da contestação e atribui a violência a "grupos terroristas armados", designação que abrange rebeldes e opositores.


