Nova Iorque terá no sábado a mais significativa homenagem às cerca de 3.000 vítimas dos atentados terroristas de 2001, mas o 11 de setembro
será marcado em todo o país, e este ano até com manifestações e comícios.
Nova Iorque irá assistir a duas manifestações na zona do futuro Centro Comunitário Islâmico, a dois quarteirões do Ground Zero: uma de apoiantes e outra de detratores, que afirmam que, em respeito para com as vítimas e as suas famílias, irão mostrar nada mais que bandeiras norte-americanas.
"Não é um comício político. Milhares de patriotas estão a prestar homenagem e a guardar luto em relação àqueles que perdemos no mais hediondo e brutal ataque no nosso solo", afirma a organizadora da manifestação anti-mesquita, Pam Geller.
Data tem perdido solenidade
O grupo de Pais e Famílias de Bombeiros e Vítimas do World Trade Center apoia esta manifestação, mas o seu presidente reconhece que a data é cada vez menos vivida com solenidade.
"É uma pena. Parece que as coisas mudaram um pouco", disse Jim Riches.
Ao longo de toda a semana, dois gigantescos focos de luz rasgaram à noite os céus de Manhattan, erguendo-se do local onde estava as torres gémeas.
As famílias das vítimas serão o centro das cerimónias na cidade, que decorrem em Zucotti Park, próximo do "Ground Zero".
Homenagem marcada por momento de silêncio
Às 8h40, hora a que o primeiro avião embateu contra a torre norte do World Trade Center será guardado um momento de silêncio, repetido às 9h03, quando embateu o segundo avião, e novamente à hora da queda de cada uma das torres.
Depois de serem lidos individualmente os nomes de todas as vítimas, irão ouvir-se os corneteiros da polícia e dos bombeiros da cidade.
Para marcar a ocasião, o Presidente norte-americano optou, em vez do Ground Zero, pelo Pentágono, onde um terceiro avião caiu em 2001.
Há dois anos, Barack Obama suspendeu a sua campanha eleitoral para as cerimónias no Ground Zero, ato seguido também pelo seu concorrente republicano, John McCain.
A primeira dama Michelle Obama, irá, juntamente com a sua antecessora Laura Bush, a uma cerimónia no local onde de despenhou o quarto avião, na Pensilvânia.
Data está a ser levada para o "reino da política"
No nono aniversário do "9/11", a capital norte-americana será de novo palco para manifestações de conservadores ligados ao movimento Tea Party, que irão marchar pela zona dos monumentos.
"A santidade do rito ligado a eventos, por mais catastróficos que sejam, tende a erodir com a passagem do tempo", afirmou David Birdsell, professor de ciência política na universidade nova-iorquina de Baruch, em declarações ao site politico.com.
Para Birdsell, a data está a ser levada "para o reino da política", por força dos animados debates que a efeméride geral.
No remoto estado do Alaska, a ex-governadora Sarah Palin e o comentador conservador Glenn Beck são as "estrelas" de um comício num pavilhão da capital estadual, Anchorage.
A última vez que Palin e Beck partilharam o palco foi há duas semanas, no aniversário do famoso discurso de Martin Luther King em prol dos direitos da minoria negra -- e no mesmo local, as escadarias do memorial Lincoln, em Washington, onde apelaram a um "regresso" do país aos valores religiosos.