Paulo Portas comentou hoje as polémica criada em torno das declarações de Passos Coelho sobre a lei do aborto, evitando qualquer referência à possibilidade de um novo referendo sobre o assunto.
Falando em Ponta Delgada, nos Açores, o líder centrista defendeu que o que deve ser reavaliado é a regulamentação da lei - "uma evidência que se impõe" -, mas não falou sobre uma nova consulta popular. Portas mantém-se fiel a uma ideia que já por várias vezes defendeu: não faz sentido reabrir a hipótese de novo referendo antes de passarem, pelo menos, dez anos sobre o anterior, que aprovou a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
Para comentar a polémica desencadeada pela entrevista de Passos Coelho à Rádio Renascença, o presidente do CDS socorreu-se das palavras de Miguel Oliveira e Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida (CNECV), que no referendo defendeu o "sim" à despenalização mas tem vindo a alertar para as deficiências da lei.
Paulo Portas lembrou que Oliveira e Silva "tem dado entrevistas mostrando preocupação com as consultas de planeamento familiar que, em 50 por cento dos casos, não acontecem, e com o facto de haver frequentemente não uma interrupção voluntária da gravidez mas duas ou três, o que significa a sua transformação em método contracetivo, que não era o objetivo da lei". Conclusão: se até um defensor do sim admite as falhas da lei, a sua alteração deve ser ponderada "com toda a sensibilidade e cuidado",
Nervosismo com o CDS
Passos Coelho veio entretanto esclarecer que não irá tomar a iniciativa de avançar com um novo referendo. Mas, entre os centristas, o facto de o líder laranja ter admitido - e logo em declarações à Renascença, a rádio da Igreja Católica - a possibilidade de uma nova consulta popular, é "um sinal do nervosismo do PSD com o crescimento do CDS", nas palavras de um dirigente popular.