Cavaco: "Não há justificação para corte de rating"
O Presidente da República considera "não haver a mínima justificação" para o corte de rating a Portugal por parte da agência de notação financeira Moody's e defende uma "resposta europeia" nesta matéria, disse à Lusa fonte oficial de Belém.
Em resposta a questões colocadas pela Lusa, sobre o corte de 'rating' em quatro níveis efetuado terça-feira pela Moody's, fonte oficial da Presidência da República respondeu que o chefe de Estado "considera não haver a mínima justificação para que o 'rating' de longo prazo de Portugal tenha sofrido tal corte".
O Presidente da República, segundo a mesma fonte, "congratula-se com a condenação da atitude da agência de notação financeira Moody's por parte da União Europeia, de instituições europeias e internacionais e de vários governos europeus". Cavaco Silva defende ainda que "as questões em torno da avaliação do risco e da notação financeira dos Estados-Membros da União Europeia devem merecer uma resposta europeia".
A agência de notação financeira Moody's cortou terça-feira em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).
Comissão Europeia desiludida
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, lamentou a decisão da Moody's e incentivou Lisboa a prosseguir no rumo de reformas negociado com a 'troika', afirmando que a instituição que lidera ficou "bastante desiludida" com a decisão da agência de notação financeira, visto não haver "factos novos" que a justifiquem.
Já o porta-voz do comissário europeu dos Assuntos Económicos classificou como "extremamente infeliz" o "timing" da Moody's, dias após o Governo ter anunciado medidas de austeridade suplementares.
A ministra espanhola da Economia, Elena Salgado, declarou-se "surpreendida" com os argumentos que a agência Moody's deu para baixar o 'rating' de Portugal para 'lixo', considerando "prematuro" especular sobre as dificuldades de Portugal em financiar-se até ao segundo semestre de 2013.
Risco de segundo empréstimo
O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, também criticou a decisão da agência: "Estamos tão surpreendidos com a decisão dessa agência de rating como todos os outros, não compreendo o que está na base dessa avaliação".
A Moody's argumenta que existe o risco crescente de Portugal precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados no segundo semestre de 2013.
Refere também que existe uma "possibilidade crescente de a participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição" para esse segundo resgate, à semelhança do que está a ser estudado no âmbito de um segundo pacote de ajuda à Grécia.
O terceiro argumento prende-se com o agravamento dos receios de que Portugal não seja capaz de cumprir a totalidade das metas de redução do défice e da dívida acordadas com a troika, no âmbito do empréstimo de 78 mil milhões de euros.



