O candidato à reeleição como Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje esperar que Portugal saiba fazer o "trabalho de casa" para que não seja necessário recorrer ao Fundo de Estabilização Europeu e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Espero que consigamos fazer o nosso trabalho de casa para que não seja necessário recorrer nem ao Fundo de Estabilização Europeu nem ao Fundo Monetário Internacional", afirmou Cavaco Silva, sublinhando que os mercados olham para a execução orçamental.
O candidato a um segundo mandato na Presidência da República respondia a perguntas de alunos da Universidade Católica, em Lisboa.
"É negativo" que se ataquem os "mercados"
Cavaco Silva insistiu que "é negativo" que se ataquem os "mercados", à semelhança do que tem afirmado o governador do Banco de Portugal.
"O que os mercados dizem é façam o trabalho que devem fazer e deixem-se de palavreado", afirmou.
O candidato alertou que os mercados não olham apenas à "informação macroeconómica" nem ao "sistema bancário", argumentando que Portugal não teria necessidade de recorrer à ajuda externa se apenas aqueles dois dados fossem levados em conta.
"Os mercados não olham só para aí, pode ser que sejam influenciados pela execução orçamental, desde logo pela de 2010 e foi anunciado um desvio à execução orçamental", afirmou, referindo que os mercados "podem desconfiar em relação à execução orçamental para o ano de 2011".
Os mercados podem olhar ainda a "outros elementos", acrescentou, como "a competitividade" e a necessidade de reduzir o desequilíbrio das contas externa e "olhar ao défice que tem a nossa balança de pagamentos".
Cavaco reitera necessidade de "estabilidade política"
Sempre respondendo a questões de alunos, Cavaco Silva reiterou a necessidade de "estabilidade política".
"Nós precisamos de estabilidade política para conseguir resolver os nossos problemas", sublinhando que para "manter a posição de último recurso em caso de uma grave crise", o Presidente da República deve ser "imparcial e isento em relação as essas forças políticas".
Questionado sobre o papel do Presidente da República enquanto comandante superior das Forças Armadas, Cavaco Silva referiu-se ao envio de formadores para o Afeganistão, anunciada pelo ministro da Defesa sexta-feira, sublinhando que essa decisão ainda não está formalmente tomada.
"A decisão só será tomada quando eu colocar esse assunto ao Conselho Superior de Defesa Nacional, ainda não o fiz", afirmou, acrescentando que só quando o fizer "essa decisão vai receber apoio ou rejeição".