21 de maio de 2013 às 12:36
Página Inicial  ⁄  Atualidade / Arquivo   ⁄  Cavaco dá "luz verde" às alterações no Código do Trabalho

Cavaco dá "luz verde" às alterações no Código do Trabalho

Presidente da República promulgou hoje o diploma e deixou um pedido: "Estabilidade" legislativa para a criação de emprego. Recorde o que vai mudar com as alterações introduzidas.
Lusa


O Presidente da República promulgou hoje as alterações ao Código do Trabalho, exortando a que "a partir de agora" se "assegure" a estabilidade legislativa "com vista" à "recuperação" do investimento, criação de emprego e relançamento "sustentado" da economia.

Na mensagem de promulgação do diploma publicada na página da Internet da Presidência da República, de sete pontos, Cavaco Silva diz que na análise realizada pela Casa Civil da Presidência da República "não foram identificados indícios claros de inconstitucionalidade que justificassem a intervenção do Tribunal Constitucional" e realça ter tido "presente os compromissos assumidos por Portugal junto das instituições internacionais".

"Com a entrada em vigor desta reforma da legislação laboral, deverá assegurar-se, a partir de agora, a estabilidade das normas reguladoras das relações laborais, com vista à recuperação do investimento, à criação de novos postos de trabalho e ao relançamento sustentado da economia portuguesa", defende o chefe de Estado.

Preservar consenso


O Presidente da República salienta "a necessidade de preservar o consenso alcançado em sede de concertação social e a reduzida oposição que o presente diploma suscitou junto dos partidos com representação parlamentar".

"O presente diploma foi aprovado na Assembleia da República com os votos favoráveis dos deputados do PSD e do CDS-PP e com a abstenção dos deputados do PS, tendo votado contra apenas 15% dos deputados", assinala ainda Cavaco.

Na mensagem, o chefe de Estado refere que "as alterações à legislação do trabalho realizadas pelo presente diploma decorrem" do memorando de entendimento assinado por Portugal e que o seu "enquadramento e princípios orientadores" decorrem igualmente do Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego celebrado no passado dia 18 de janeiro de 2012 entre o Governo português e larga maioria dos parceiros sociais".

 



O que vai mudar no Código de Trabalho


Tempo de trabalho


As novidades são muitas. A primeira das quais é a possibilidade do banco de horas ser implementado por "acordo entre o empregador e o trabalhador", isto é, sem negociação coletiva, intervenção sindical ou das comissões de trabalhador. Admite-se que esse banco possa aumentar o tempo de trabalho "até duas horas diárias ao período normal de trabalho, com o limite de 50 horas semanais e de 150 horas anuais".

Os intervalos de descanso também podem vir a ser alterados. No caso de o período de trabalho ultrapassar as dez horas diárias, deve existir uma interrupção mínima de uma hora e máxima de duas, "de modo a que o trabalhador não preste mais de seis horas de trabalho consecutivo".

Trabalho suplementar


O trabalho em dias de folga e feriados, assim como as horas extraordinárias vão ter uma retribuição muito mais baixa. E eliminam-se as compensações com tempos de folga. O novo código torna mesmo "imperativo" a eliminação do descanso compensatório para os acordos coletivos e todos os contratos de trabalho.

Mas, além de perderem a folga de compensação, os trabalhadores perdem ainda retribuição por trabalho suplementar. Nas chamadas horas extraordinárias, os montantes pagos baixam para metade: 25% na primeira hora ou fração, 37,5% nas seguintes caso o trabalho seja em dia útil; 50% por cada hora ou fração no caso do trabalho extraordinário prestado em feriados, folgas ou fins de semana).

Também o trabalho em dia feriado passa a ser pago pela metade do valor que vigorava até hoje. O acordo de concertação admite, no entanto, que nesta situação os patrões possam manter "a possibilidade de opção pelo descanso compensatório".

Feriados e pontes


O acordo de Concertação Social, previa a redução de "três a quatro" feriados obrigatórios, mas não referia quais. Depois de o aval da Santa Sé, o Governo acabou por eliminar dois feriados religiosos - Corpo de Deus (feriado móvel, no início de junho) e 1 de novembro - e dois feriados civis - 5 de outubro e 1º de dezembro. Na fase de discussão parlamentar. deixou cair a ideia de que as mudanças nesta área seriam só para vigorar enquanto durasse o resgate financeiro ao país. Ou seja, os cortes passam a ser definitivos. No entanto, a eliminação dos feriados, inicialmente prevista para 2012, só entrará em vigor no próximo ano.

Simultaneamente, o novo código estabelece novas regras para as pontes: os patrões podem decidir encerrar as empresas nos dias de pontes (quando os feriados calhem a uma terça ou quinta-feira), descontando o dia de folga do trabalhador como dia de férias. A medida não envolve negociação, mas tem de ser "comunicado aos trabalhadores no início de cada ano".

Férias


Acaba a possibilidade de majorar em três dias as férias dos trabalhadores que não faltem durante o ano inteiro de trabalho

Despedimentos


As mudanças envolvem apenas dois tipos de despedimento: por inadaptação ou por extinção do posto de trabalho.

No primeiro caso, os processos tornam-se mais fáceis para o empregador, mais rápidos e os motivos alargam-se. Assim, deixa de ser obrigatória "a colocação do trabalhador a despedir em posto compatível" e passa o patrão a ter apenas de apresentar os motivos de despedimento "através de decisão por escrito e fundamentada". Os prazos para que o processo de despedimento decorra serão, também, reduzidos e admitem-se novos motivos como fundamento de dispensa do trabalhador: perda de qualidade ou baixa de produtividade são dois deles. Mas há mais: "Avarias repetidas nos meios afetos ao posto de trabalho ou riscos para a segurança e saúde do trabalhador, de outros trabalhadores ou de terceiros" também constam do leque de fundamentos para o despedimento por inadaptação.

Já o despedimento por extinção do posto de trabalho passa, de novo, unilateralmente para o empregador a capacidade de encontrar "um critério relevante" para definir qual ou quais os postos de trabalho a eliminar. E, de novo, deixa de ser obrigatória a colocação do trabalhador em posto compatível

Indemnizações


Vão mudar agora e mudarão ainda este ano, no sentido de uma aproximação à media dos países da UE. Por enquanto, as mudanças afectam os contratos de trabalho celebrados ante de 1 de Novembro de 2011 (altura em que foi criada nova legislação para novos contratos, que reduz para 20 dias o número de dias de trabalho contabilizados para cálculo da indemnização) e segue o seguinte princípio:

  • os trabalhadores têm direito à compensação devida nos moldes até agora em vigor, isto é um mês de compensação por cada ano de trabalho na empresa (contando com diuturnidades e rendimento bruto).

  • caso a compensação obtida seja igual a 12 anos de trabalho ou a 240 RMMG (116 400 euros), o trabalhador tem direito a indemnização prevista à data da entrada em vigor da nova legislação. Mas, mesmo que permaneça na empresa, não terá direito a mais compensações adicionais.

Caso o trabalhador não se encontre nestas circunstâncias (a indemnização seja de menor valor ou o tempo correspondente de serviço for inferior a 12 anos) o trabalhador poderá juntar a indemnização a que tinha direito, com uma outra, calculada já a partir dos dados da nova legislação.

Comentários 91 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO :
Como Portugal podia ter sido mais feliz ...

Dê o seu contributo ... aponte nomes ...

Começo eu ...

- Aníbal António Cavaco Silva
-
-
-
-
-
-
-
-
-

Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Onde está o guito da SLN/BPN? Dá Cá acabado!!!o gu Ver comentário
Os Pastéis de de BELÈM estão enjoados c/ o vizinho Ver comentário
Eu ia pôr um nome... Ver comentário
Quem aprovou esta lei está inadaptado ao país Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Re: PORTUGUESES QUE NUNCA DEVIAM TER NASCIDO : Ver comentário
Sr PRESIDENTE
Devia-se envergonhar do ordenado mínimo existente no país, mas tal não o afecta por isso estamos a assistir ao mesmo de outrora.
Anda entretido... Ver comentário
Re: Anda entretido... Ver comentário
Anda entretido... Ver comentário
Re: Anda entretido... Ver comentário
"Quanto mais greves,menos te ouço"
É o que diz Cavaco a Jerónimo de Sousa e ao seu colega de partido Arménio.
A hora não é de fazer greve,não é de prejudicar quem quer ir para o trabalho e ser vergonhosamente prejudicado pela "cintura" de sindicalistas comunistas na Transtejo,na CP,na Carris.
http://youtu.be/bHV8E3MW250 Ver comentário
Re: Ver comentário
Re: Ver comentário
Re: Ver comentário
Re: Ver comentário
Re: Ver comentário
Re: Ver comentário
Outra coisa não seria de esperar
com um primeiro ministro, uma maioria, um presidente, uma ditadura e um povo adormecido...

O Povo vota Cavaco Silva! Ver comentário
Re:O Kabaku esta e ansios e que lhe chegue as ... Ver comentário
Re: O kabaku arrisca-se a nao poder sair da mercea Ver comentário
Re:E um lacaio chamado Proenca Ver comentário
Os comunistas dos transportes da transtejo,CP, Ver comentário
De uma tareia precisava você... Ver comentário
Meu caro Anastaciu. Não dê confiança a esse tipo Ver comentário
Re: Meu caro Anastaciu. Não dê confiança a esse ti Ver comentário
Vou seguir o seu conselho... Ver comentário
Tipo não... Gajo! Senão ele fica ofendido. Ver comentário
Re: De uma tareia precisava você... Ver comentário
Eu se puder ainda afiambro em algum... Ver comentário
Indignação contra a injustiça social
O povo tem que se unir numa insubordinação pacifica para alterar este estado de coisas porque todos temos direito a viver num Pais onde a justiça seja uma realidade, cabendo-nos a todos em conjunto zelar pra que a nossa sociedade se mantenha uma sociedade da qual ns orgulhemos...,

novas oportunidades
O grande problema da falta de produtividade de Portugal não deriva da mão de obra, muita dela já especializada com as novas oportunidades. O que realmente se passa é que o nosso tecido empresarial é iletrado, velho, pouco ambicioso e provinciano. Devia o governo em vez de mexer na lei laboral, fomentar cursos de modernidade e organização para os nossos patrões.
A partir de agora...é só sucesso!
Desde há muito tempo, desde, pelo menos, o Código de Bagão Félix, o direito do trabalho tem vindo a sofrer tratos de polé. O bloco central de interesses tem vindo, implacavelmente, a fazer uma "descascagem" dos direitos e garantias de quem trabalha em ritmo acelerado. Acabar ou reduzir ao mínimo, negociação colectiva,portarias de extensão, sindicatos, comissões de trabalhadores...deixar o trabalhador individual sozinho, inerme, perante a entidade patronal, agora sempre chamado "empregador", está a ser conseguido com o pretexto da má situação económica e como se essas privações de direitos contribuissem de algum modo significativo para a dinamização daquela. E depois ainda se queixam de q estes malandros não querem trabalhar e fazem greves... Muita pachorra eles têm para aguentar a canga!
Cavaco partilha...
aí umas dessas acções da SLN onde recebias uma bonificação de 140% , mesmo sem estas estarem cotadas em bolsa...Sabes isto está mal e o pessoal precisa de uns trocos, que ficou sem eles, pois o BPN dos teus amigos do PSD...sabes custou a cada contribuinte 250 euros e todos injectamos 2700 milhões de euros pra ser vendido por 40 milhões aos Angolanos...explica lá isso...
Kavaco vai cavaquear pro outro mundo Ver comentário
Re: Kavaco vai cavaquear pro outro mundo Ver comentário
Uma maioria,
um governo e um presidente.

Estavam à espera de quê?

Os que estão tão satisfeitos com a situação começam já a fazer uma viagem no tempo até aos anos 60.

Talvez seja bom para saberem aquilo porque passaram os que agora são acusados de tudo... até de os terem criado com os maiores sacrifícios.
Re: Uma maioria, Ver comentário
Entre muitas mortes e muitos feridos... Ver comentário
Ordenado minimo para os politicos
O número de trabalhadores a ganhar o salário mínimo nacional corresponde a 10,9% da população activa.
Ou Seja
Por outras palavras pretende-se escravos baratos.
Código de trabalho
Mas esperavam outra coisa? Este presidente da república das bananas, alguma vez promulgou algum diploma que viesse a beneficiar os trabalhados. Só eles é que têm direito a viver. Temos que nos unir e correr com estes senhores, que não prestam para nada.
Outra decisão seria contra o Poder instituído...
Um Governo um Presidente uma maioria de direita na AR...
Quando se trata de ser de direita tem que se mostrar a quem trabalha quem manda... Afinal qual é o maior suporte dessa direita?

Espero que como em França haja uma maioria ,brevemente, da esquerda para vermos o que se vai fazer desta Lei que só no papel vai ser aceite e nunca pelos trabalhadores . Os Patrões rejubilam e com uma ugt a avalizar não há volta a dar... Porem, parece que esta Lei vai resolver de vez o desemprego dos jovens e tudo que de mal tem acontecido a Portugal! Esperem sentados - e depois queixem-se...
Re: Outra decisão seria contra o Poder instituído. Ver comentário
novos empresários precisam-se
com projectos inovadores ou para melhorar empresas já existentes, porque são esses que criam emprego e é desses
que vive o Estado.
NÃO ENTENDO!
Expliquem lá devagarinho! Se dizem que é anticonstitucional como é possível a sua promulgação?
Re: NÃO ENTENDO! Ver comentário
Re: NÃO ENTENDO! Ver comentário
PUB
PUB
Expresso nas Redes
Pub