Era a mais aguardada das respostas. Ao longo de toda a manhã de ontem a longa comitiva de jornalistas que acompanhava o Presidente da República na sua visita a empresas de Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira prepara várias perguntas, mas todos sabiam de uma à qual não seria possível escapar. Estavam preparadas as câmaras, ligados os microfones para registar o que se anunciava ser a explicação de Cavaco Silva para o súbito cancelamento da visita, no passado dia 16, à Escola Artística António Arroio, em Lisboa, onde decorria uma manifestação de estudantes. O PR sabia que a pergunta ia ser feita e, ainda assim, optou por uma não resposta. Com voz pausada, limitou-se a dizer que o seu gabinete "teve o cuidado de informar a direção da escola que um impedimento de última hora me impediu de concretizar a visita".
Apesar das insistências para ser mais claro, Cavaco Silva preferiu lembrar que foi Primeiro Ministro durante dez anos e que no próximo dia 9 de março completará seis anos como PR. Disputou muitas eleições, ganhou quatro com mais de 50% dos votos e, portanto, acrescentou, "tenho uma experiência muito acumulada ao longo dos anos e em todas as situações e em todos os níveis". Quem pensava detetar aqui a abertura de uma porta para uma explicação mais detalhada logo percebeu que este é um assunto sobre o qual Cavaco Silva se formatou para nada mais dizer. A prová-lo está o encadeamento da frase, que leva o PR a chamar a atenção para a sua capacidade "até para detetar aqueles sectores que podem contribuir para resolver o principal problema que temos neste momento, que é o do crescimento económico, o problema do desemprego e o apontar caminhos, como é o caso das indústrias criativas".
Cavaco Silva escolheu o Grande Porto para dedicar os dias de ontem e de hoje a mais uma jornada, a sexta, do Roteiro para a Juventude, desta vez dedicado às indústrias criativas. A manhã arrancou na fábrica de calçado Luís Onofre, em Oliveira de Azeméis, prosseguiu na Fepsa, em S. João da Madeira, empresa dedicada ao fabrico de feltros para chapéus, passou pela fábrica de lápis Viarco e concluiu a manhã no atelier de Miguel Vieira.
À tarde, o PR visitou no Porto o Opo'Lab, laboratório de experimentação e exploração criativa, passou pelo Atelier des Créateurs, dedicado à confecção de fatos feitos por medida de alta costura e pela empresa de prestação de serviços e arquitetura Balonas & Menano. Para a noite estava previsto um jantar na Associação Nacional de Jovens Empresários, onde iria ser entregue o Prémio Jovem Empreendedor.