O primeiro trimestre foi de severo agravamento da situação económica nacional. Segundo as estimativas do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica
, a taxa de variação homóloga do PIB nos primeiros três meses de 2009 foi de -3,2%.
Este valor compara com a queda de 1,8% registada no último trimestre do ano passado e, a confirmar-se, será a maior contracção homóloga trimestral da actividade em Portugal desde, pelo menos, 1979. Quanto à taxa de variação em cadeia (face aos três meses anteriores), deverá ter sido de -1,7%.
Quanto ao mercado de trabalho, a estimativa preliminar do NECEP para a taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano (com base nos dados de Janeiro e Fevereiro) aponta para 8,4%, um valor 0,6 pontos percentuais acima dos três meses anteriores.
Face a estes números o NECEP voltou a rever em forte baixa as suas projecções para a evolução da economia portuguesa no conjunto deste ano, e no próximo, para -3,2% e -0,5%.
A recessão deste ano reflectirá, sobretudo, "o impacte adverso da conjuntura externa nas exportações e no investimento", salienta o NECEP. Isto num contexto em que o consumo privado será travado pela degradação do mercado de trabalho e "as medidas de estímulo orçamental apresentadas pelo Governo deverão ter pouco impacte no crescimento", considera o núcleo da Universidade Católica
.
Até porque, "os dados já conhecidos da execução orçamental de 2009 sugerem que as contas públicas apresentam uma derrapagem importante, devendo estar sob enorme pressão este ano".