As duas teses são preocupantes e, embora opostas, não são minimamente esclarecidas com a conclusão da investigação.
Embora os partidários de uma e outra tese divirjam no que toca aos culpados da inconclusiva investigação do Ministério Público, há uma coisa que me parece óbvia: este Procurador Geral da República não demonstra capacidades para "dirigir, coordenar e fiscalizar a actividade do Ministério Público e emitir as directivas, ordens e instruções a que deve obedecer a actuação dos respectivos magistrados". A entrevista que Pinto Monteiro deu ao DN
, no qual lança calúnias contra o sindicato dos magistrado e repete a mentira que os procuradores terão tido seis anos para investigar, revela um procurador em ruptura com o Ministério Público que devia dirigir e um claro abraçar dos argumentos dos dirigentes mais radicais do PS. Por outro lado, a notícia do Expresso de sábado
que revela a acção de Cândida Almeida para que os procuradores não conseguissem ouvir Sócrates, num país normal, já teria provocado a exoneração da referida magistrada e do seu superior hierárquico - Pinto Monteiro.
Não quero com isto dizer que vejo em Pinto Monteiro capacidades para ser o cérebro de uma oligarquia de poderosos que vai escapando aos sucessivos casos que a assolam ou que a sua exoneração resolveria todos os problemas do Ministério Público. Contudo, o sistema de relações de poder que, depois de tudo isto, mantém Pinto Monteiro como Procurador Geral da República é a ponta de um iceberg complexo e sinistro, que põe em causa a nossa democracia.