A representante da Plataforma Cidadania e Casamento Isilda Pegado apelou hoje aos deputados para que votem "em consciência e liberdade" a petição pró-referendo ao casamento homossexual, rejeitando que a recolha de mais de 90.000 assinaturas tenha sido em vão.
Mandatários da plataforma responsável pela petição que defende a realização de um referendo sobre o casamento homossexual entregaram hoje no Parlamento as mais de 90.000 assinaturas recolhidas nas últimas três semanas, reunindo-se durante quase uma hora com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.
Questionada, no final do encontro, sobre a anunciada recusa à realização do referendo por parte dos partidos de esquerda, Isilda Pegado afirmou que essa intenção ainda não foi expressa no voto.
"Todos os deputados que aqui estão são livres de votarem como entenderem. Ainda que as direcções dos partidos digam uma determinada coisa, aguardo serenamente para que, no momento da votação, cada deputado diga em consciência e em liberdade aquilo que é o sentido do mandato que o trouxe para aqui", afirmou a mandatária da plataforma.
"Petição não foi em vão"
Apesar de a iniciativa popular só vir a ser discutida depois da votação das propostas do Governo e do PSD, Bloco de Esquerda e Verdes sobre casamento homossexual, marcada para esta sexta-feira, Isilda Pegado afirma que o referendo pode ser feito em qualquer fase do processo legislativo e defende que a petição não foi em vão.
Para a representante, cabe aos políticos decidir como vão conduzir o processo legislativo: as propostas podem ser votadas nesta semana ou ser retiradas, podem baixar à comissão sem votação ou, mesmo após votação, podem baixar à comissão e ficar a aguardar pela votação final.
"Eu não sou capaz de dizer a 90.000 pessoas que elas são um vão, que são um nada. Penso que nenhum dos deputados terá essa veleidade", sustentou.
A Plataforma Cidadania e Casamento desafia a classe política a "não ter medo do povo".
"Voltarmos a ouvir o povo, voltarmos a empenhar o povo na recuperação deste país, que pode passar por circunstâncias tão concretas como esta, da estruturação da família a partir do casamento", referiu.
Críticas ao PS e CDU
Isilda Pegado diz apenas reconhecer legitimidade nesta matéria ao Bloco de Esquerda e critica o PS e a CDU - os Verdes, que concorrem às eleições coligados com o PCP na CDU, têm uma proposta para a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e que admite a adopção por estes casais.
"Da leitura que faço dos programas eleitorais, todos os que votaram na CDU, não sabiam o que aqui dentro os deputados iriam defender, porque não consta no programa da CDU", disse, referindo ainda que o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que esta é uma matéria que merece debate.
Quanto ao PS, Isilda Pegado afirma que, ao legalizar o casamento homossexual, está a permitir a adopção - imperativo constitucional - e a reprodução artificial, já prevista na lei.