A leitura da sentença do caso Casa Pia, marcada para 5 de agosto, terá algumas das vítimas na audiência, para as quais testemunhar o momento é "importante", revela a diretora do conselho diretivo da instituição. Em entrevista à agência Lusa, Joaquina Madeira revela-se convicta de que "se vai fazer justiça" e que a leitura da sentença irá encerrar mais um ciclo da história da Casa Pia.
Segundo Joaquina Madeira, esta fase final do processo, que se arrasta há sete anos, está a ser vivida com alguma ansiedade por todos: instituição, funcionários e alunos.
Alguns ex-alunos e vítimas dos alegados abusos sexuais contactaram a Casa Pia nos últimos tempos, manifestando a intenção de estarem presentes na leitura da sentença. "Para alguns, estar presente será importante", afirma Joaquina Madeira.
A diretora do conselho diretivo da instituição, que chegou à Casa Pia de Lisboa em 2006 e se prepara para deixar o cargo, sublinha que desde o escândalo de pedofilia, revelado pelo jornal Expresso na sua edição de 23 de novembro de 2002, funcionários e alunos têm gradualmente ficado mais tranquilos.
Ânsia predomina
Curiosamente, "as crianças são as que mais facilmente ultrapassam tudo isto", diz. Mas todos - instituição, funcionários, alunos e ex-alunos - estão "ansiosos e desejosos de que esta fase termine", afirma.
Convicta de que "a sentença irá trazer justiça", Joaquina Madeira não revela as suas expetativas para a sentença, mas deixa um desejo: "Que as pessoas que são culpadas sejam responsabilizadas por isso".
Joaquina Madeira diz ainda que continua a existir um contacto com os ex-alunos vítimas dos abusos e que, para estes, está sempre aberta uma linha de contacto.
Será "enquadrados" pela Casa Pia de Lisboa que estes jovens estarão presentes no dia 5 de agosto no Campus da Justiça para a leitura da sentença.