24/05/2012 atualizado às 1:52
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Casa Pia: Manuel Abrantes deu "proteção" a "Bibi"

Juízes do processo Casa Pia concluíram que o ex-provedor adjunto Manuel Abrantes protegeu o ex-motorista da instituição.

18:36 Segunda feira, 13 de setembro de 2010
Relatos das testemunhas indicam que, apesar da diferença de estatuto entre os dois, Carlos Silvino tratava às vezes Manuel Abrantes «com arrogância e desrespeito»
Relatos das testemunhas indicam que, apesar da diferença de estatuto entre os dois, Carlos Silvino tratava às vezes Manuel Abrantes «com arrogância e desrespeito»
Hugo Correia/Reuters

Os juízes do processo Casa Pia concluíram que o ex-provedor adjunto Manuel Abrantes protegeu o ex-motorista da instituição Carlos Silvino ("Bibi"), que teve liberdade e impunidade para praticar abusos sexuais com menores casapianos.

No acórdão final, a que a Agência Lusa teve acesso, o coletivo considerou que existiu uma relação "diferente" entre os dois arguidos, ambos condenados por abuso sexual de menores, que levou a concluir que houve "uma situação de 'proteção'" do ex-provedor ao seu funcionário.

Ao longo dos anos em que trabalhou na instituição, Carlos Silvino teve várias "sanções disciplinares e advertências", mas ao mesmo tempo foi progredindo na carreira e sendo promovido, "criando um sentimento de superioridade e impunidade".

"Relação especial"


Baseando-se nos relatos de várias testemunhas que trabalharam na Casa Pia, os juízes entenderam que, "objetivamente, havia uma especial relação entre o arguido Carlos Silvino e o arguido Manuel Abrantes e vice versa", culminando numa "atitude de proteção" do ex-provedor em relação ao ex-motorista, que "tinha atitudes que demonstravam ascendente e poder face aos demais funcionários".

Além disso, os relatos das testemunhas indicam que, apesar da diferença de estatuto entre os dois, Carlos Silvino tratava às vezes Manuel Abrantes "com arrogância e desrespeito, pondo em causa publicamente a sua autoridade" sem recear "sanção ou recriminação".

Por seu lado, Carlos Silvino pôde "movimentar-se no interior da Casa Pia de Lisboa como quis", destacam os juízes.

Abrantes demonstrou "tolerância"


Manuel Abrantes demonstrou "tolerância" para com Carlos Silvino e permitiu-lhe "dispor, sem preocupação, do tempo durante o período de serviço ou dos veículos da Casa Pia" para abusar ou permitir que outros arguidos abusassem de alunos.

Enquanto dirigente da Casa Pia e instrutor de processos disciplinares ao ex-motorista, Manuel Abrantes "desvalorizou e desconsiderou" o risco que a manuntenção ao serviço de Carlos Silvino trazia ao "crescimento, saúde e formação" dos alunos da instituição.

Manuel Abrantes alegou em tribunal não saber das acusações de abuso sexual imputadas a Carlos Silvino no âmbito dos processos disciplinares e não ter responsabilidades diretas nos cargos que o ex-motorista ia exercendo, mas os juízes não entenderam assim, argumentando que desde 1984 que Manuel Abrantes conhecia Silvino, "as funções que exercia e como as exercia".

Em relação a um dos processos disciplinares, que correu em 1989 e que levou à demissão compulsiva de Carlos Silvino, "não é crível" que Manuel Abrantes não soubesse os motivos do processo, em que já se imputavam abusos sexuais ao ex-motorista.

Seis condenados


No fim do julgamento, Carlos Silvino foi condenado a 18 anos de prisão efetiva pela prática de abuso sexual de menores dependentes, abuso sexual de pessoa internada, violação e pornografia de menores, enquanto Manuel Abrantes foi condenado por 2 crimes de abuso sexual de menores dependentes e abuso sexual de pessoa internada a cinco anos e nove meses de prisão.

O tribunal condenou ainda os arguidos Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Jorge Ritto e Hugo Marçal, absolvendo Gertrudes Nunes.

O acórdão deste julgamento foi proferido no dia 03 deste mês na 8.ª Vara Criminal, no Campus de Justiça de Lisboa, mas só hoje foi entregue aos advogados, após vários adiamentos.


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Então pergunto
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:23 | Segunda feira, 13 de setembro de 2010
E só teve esta pena? Ou também o estão a encobrir, pois ele sabe demais?
 
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É tudo gente boa...
Marradas Beligerante (seguir utilizador), 1 ponto , 19:37 | Segunda feira, 13 de setembro de 2010
O Abrantes protegeu o Bibi, o Bibi protegeu o Abrantes. Isto é tudo farinha do mesmo saco.
Para mim, este malfadado processo só pecou por uma coisa. Em vez de terem estado no banco dos réus 7 indivíduos, deviam ter lá estado 700 (pelo menos). Os que puderam, escapuliram-se. Ficaram os menos expeditos e os tontos.
Conclusão : o Tribunal aplicou a pena máxima áquele que, provavelmente, terá sido o menos culpado de todo o regabofe. Mas também já era esperado que a espada iria cair sem dó nem piedade sobre as cabeças dos tontos e indigentes do Bibi e do Farfalha.
Fomos pois brindados com mais um momento de sublime humor da justiça portuguesa.
E ainda dizem que o crime não compensa. Em Portugal, compensa. E de que maneira...
 
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Uma vez mais....
Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 20:18 | Segunda feira, 13 de setembro de 2010
Mais uma vez fica provado que no nosso país a responsabilidade fica-se pelo recibo do ordenado!
O responsável por uma instituição que deveria servir para acolher crianças, abusa das crianças que estavam à sua guarda, dá cobertura a quem "negoceia" com abusos sobre as mesmas crianças e apanha uma "peninha"....
Ditosa Pátria que tão bem aplica a Justiça!
Este caso mete nojo!
 
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É COMUM NA FUNÇÃO PÚBLICA
aldrabado (seguir utilizador), 1 ponto , 9:22 | Terça feira, 14 de setembro de 2010
O compadrio apesar da lei ou de qualquer argumento sóbrio, é comum na função pública os "chefes" rodearem de imcompetentes arruaceiros, cuja missão é informar o chefe do que ele pretende ser informado e realizar tarefas inconfessáveis. Aqui tratou-se de facilitar pedofilia e abusos sexuais, noutros casos vai da intimidação à corrupção!
 
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