O juiz do processo
Casa Pia
Lopes Barata acusou hoje os advogados de defesa de terem aberto "uma nova batalha jurídica" que pode adiar, mais uma vez, a leitura do acórdão, marcada para 03 de setembro.
"Foi aberta uma nova batalha jurídica no processo [...]. Em cada audiência [os advogados] têm reiteradamente suscitado irregularidades e nulidades a que não assistimos em nenhum outro processo no país", ditou Lopes Barata para a ata da audiência.
No entender do juiz do coletivo, esta atuação "entra em contradição com a urgência não só dos sujeitos processuais, mas também do tribunal, em que seja proferida uma decisão final".
"O conhecimento que temos do que costuma acontecer sempre que são suscitados incidentes é que a marcha do processo sofre um atraso inexorável. Prevejo que é isso que vai acontecer com a referida batalha jurídica que se abriu na presente audiência", estimou o juiz.
Lopes Barata disse ainda prever que "não será possível à colega relatora do acórdão [a presidente do coletivo] proferir decisão dia 03 de setembro".
O magistrado classificou ainda o processo de "mediana complexidade", lembrando que "não tem mais do que duzentas páginas de pronúncia".
Sá Fernandes mostra-se "ofendido"
Esta posição assumida pelo juiz desagradou ao defensor do arguido
Carlos Cruz
, Ricardo Sá Fernandes, que se manifestou "ofendido", mas teve a concordância do advogado que representa as vítimas da Casa Pia, Miguel Matias.
O advogado do arguido Manuel Abrantes, ex-provedor da instituição, e que hoje apresentou um requerimento que terá que ser decidido pelo coletivo num prazo de dez dias, garantiu não se ter sentido "minimamente atingido" pelas críticas do juiz.
O julgamento do caso de pedofilia na Casa Pia conheceu hoje uma nova sessão antes da leitura da sentença, agendada para 03 de setembro, pois segundo a legislação o processo não pode estar mais de 30 dias sem produzir prova.
A leitura do acórdão deste julgamento, a decorrer no Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, já foi adiada duas vezes.
A leitura do acórdão do processo Casa Pia foi adiada de 09 de julho, a data inicial, para 05 de agosto, sendo novamente adiada para 03 de setembro próximo.