Publicar ou não publicar as fotos do cadáver de Bin Laden?, eis a questão. Na Casa Branca a discussão sobre a divulgação das imagens que provariam ao mundo a morte do líder da Al-Qaeda está na ordem do dia, com membros do Governo a alertarem para uma possível onda de protestos violentos no mundo do muçulmano.
"Estamos a considerar se vamos ou não publicar informação adicional, mais detalhes da operação e, provavelmente, essas fotos", avançou John O. Brennan, conselheiro da luta anti-terrorista na Casa Branca. As imagens em causa poderiam revelar o cadáver de Bin Laden no momento da operação em Abbottabad, posteriormente no hangar militar para onde foi levado no Afeganistão e durante a cerimónia fúnebre em que o corpo foi lançado ao mar.
"Queremos primeiro entender que tipo de reação pode motivar este tipo de divulgação", frisou John O. Brennan.
Talibãs alegam "falta de provas"
Os talibãs afegãos, que deram refúgio a Usama bin Laden quando controlavam o Afeganistão (1996-2001), consideram ser ainda "prematuro" comentar a eventual morte do líder da Al-Qaeda, alegando falta de "provas".
"Os americanos não forneceram documentos convincentes que possam provar as suas afirmações e fontes próximas de Bin Laden não confirmaram, nem desmentiram, as informações sobre o seu mártir", referiu um comunicado, hoje publicado num dos sites conotados com o movimento talibã.
É a primeira reação dos talibãs depois do anúncio de Barack Obama, no domingo à noite em Washington (segunda-feira de madrugada em Lisboa) da morte de Bin Laden, na sequência de uma missão das forças especiais norte-americanas no Paquistão.
"O Emirado islâmico do Afeganistão [o nome do regime talibã que controlou o Afeganistão entre 1996 e 2001] considera que é prematuro fazer uma declaração sobre este assunto", concluiu a mesma nota informativa.
Na segunda-feira, um alto responsável norte-americano divulgou que uma análise de ADN permitiu confirmar a morte de Usama bin Laden. O responsável, que não quis ser identificado, confirmou que o ADN retirado do corpo de uma das pessoas mortas no tiroteio no domingo numa cidade a norte de Islamabad corresponde ao do líder da Al-Qaida.
Segundo um outro responsável, que também não quis ser identificado, "o ADN corresponde ao de vários membros da família Bin Laden. A probabilidade do ADN (do corpo) ser o de Bin Laden é de pelo menos 99%".
Alguns internautas, adeptos da teoria de conspiração, já publicaram mensagens em sites a defender que os Estados Unidos encenaram esta história.