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Cartel do petróleo à beira da cisão

A reunião da OPEP de 8 de junho não conseguiu chegar a um acordo para aumentar a produção de barris de petróleo. Formaram-se dois blocos. Produção do cartel não chegará para a procura este ano

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A Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) arrisca uma cisão, segundo alguns analistas do mercado petrolífero. "Foi uma das piores reuniões que já tivemos", exclamou o ministro dos petróleos da Arábia Saudita Ali al-Naimi, considerado o mais poderoso ministro do crude, à saída da cimeira do cartel em Viena na passada quarta-feira (8 de junho).

A reunião durou cinco horas em que se formaram dois blocos. De um lado a Arábia Saudita (o maior exportador mundial) que pretendia um aumento de 1,5 milhões de barris por dia na produção do cartel, apoiada pelo Koweit, o Qatar e os Emiratos Árabes Unidos - seus vizinhos próximos -, e do outro, abertamente contra, a Argélia, Equador, Venezuela, Irão, Iraque e Líbia (em guerra civil), segundo declarações de Ali al-Naimi. Não foi feita referência à Nigéria (o 6º maior exportador de crude).

Obstinada oposição


Ali al-Naimi foi muito explícito sobre a divisão interna: "Passei três horas a tentar convencê-los [da necessidade do aumento da produção]. Nos meus 16 anos como ministro dos petróleos nunca vi uma posição tão obstinada [de oposição]".

O secretário-geral do cartel, o líbio Abdulá Salem el-Badri, anunciou, no final da cimeira, que "infelizmente não foi possível alcançar um consenso para aumentar a produção" e referiu que o assunto voltará a ser analisado na próxima reunião se realizará em 14 de dezembro.

A pressão para o aumento da produção do cartel deriva do facto da China se ter tornado em 2010 o maior consumidor de energia, ultrapassando os Estados Unidos, sendo agora a referência mundial. Acresce que o risco de apagões na China durante o verão irá obrigar Beijing a aumentar o uso dos geradores a diesel, o que pressionará o consumo de petróleo.

A grande dicotomia no mundo


A economia mundial tem vindo a assistir a um acentuar da dicotomia entre os países membros da OCDE (considerados desenvolvidos) e as economias emergentes. A assimetria na taxa de crescimento económico é agora evidente entre os dois mundos. O aumento do fosso entre a produção e o consumo mundiais de petróleo influencia naturalmente o disparo dos preços, potenciando ainda mais a sua volatilidade provocada pela especulação financeira, como aumenta os riscos geopolíticos de disputa pelas zonas produtoras ou com reservas.

A Arábia Saudita pretendia aumentar a produção do cartel em 1,5 milhões de barris por dia, passando dos 28,8 milhões registados em abril para 30,3 milhões. A procura para os crudes da OPEP situar-se-á em média nos 29,9 milhões em 2011, segundo o Monthly Oil Market Report da OPEP deste mês.

Em virtude do impasse em Viena, Riade afirmou ir aumentar unilateralmente pelo menos 500 mil barris por dia e o jornal al-Hayat afirmou que o reino poderá atingir os 10 milhões de barris diários em julho. Mas essa subida não se traduzirá necessariamente num aumento da produção de petróleo saudita nesse número de barris, e muito menos na exportação. Segundo a Reuters, só metade desse aumento na realidade será destinado à produção de petróleo, pois a outra metade será consumida pelas centrais elétricas a diesel em virtude do disparo do consumo de energia nesta época de picos de calor na península arábica.

A produção mundial, desde o rebentar do conflito na Líbia, baixou 1,7 milhões de barris por dia, em que 82% dessa quebra se atribui à guerra civil naquele país do Magrebe. O petróleo líbio é difícil de substituir dado ser de uma variedade de alta qualidade, afirma Rembrandt Koppelaar, editor do The Oil Drum. Em contraste, a procura mundial deverá crescer 1,4 milhões de barris por dia (mbd), um aumento, no entanto, inferior ao de 2010 (que foi de 2,1 mbd).

Quem poderá beneficiar


O cartel agrupa 12 membros - Arábia Saudita, Argélia, Angola, Equador, Emiratos Árabes Unidos, Irão, Iraque, Koweit, Líbia, Nigéria, Qatar e Venezuela. Detém quase 80% das reservas mundiais do ouro negro e dominam mais de 40% da produção mundial. Nos 10 maiores exportadores do mundo ocupam 6 posições (Arábia Saudita, que lidera, Irão, Koweit, Nigéria, Venezuela e Iraque). Apesar de a Rússia ser o maior produtor mundial (com mais de 10 milhões de barris diários), a Arábia Saudita é o maior exportador (com cerca de 9 milhões de barris por dia).

Um enfraquecimento da OPEP, ou eventual cisão nesta organização criada em Bagdade em 1960, poderá beneficiar o poder do maior produtor do mundo e segundo maior exportador, a Rússia.

A OPEP usa um preço médio para o barril de petróleo com base num cabaz de 7 variedades de crude ("Blend do Saara" da Argélia, "Minas" da Indonésia, "Bonny Light" da Nigéria, "Arab Light" da Arábia Saudita, "Fateh" do Dubai, "Tia Juana Light" da Venezuela, e "Istmo" do México, um país que não pertence ao cartel, mas que é o 7º produtor mundial). Este preço subiu de uma média de 74,45 dólares em 2010 para 106,55 dólares em 2011 até à data. Na última semana, em que decorreu a cimeira de Viena, este preço médio subiu de 110,52 dólares para 111,53 dólares.

Este preço do cabaz da OPEP é mais baixo do que o preço do barril de Brent, usado como referência na Europa. O Brent fechou a semana em baixa com um valor de 118,78 dólares por barril, mas subiu 2,5% durante a semana e 49,5% nos últimos doze meses, segundo dados da TradingEconomics.

Os 10 maiores produtores mundiais são os seguintes: Rússia, Arábia Saudita, Estados Unidos, Irão, China, Canadá, México, Emiratos Árabes Unidos, Brasil e Koweit. Os 10 maiores exportadores são: Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos, Irão, Koweit, Nigéria, Venezuela, Noruega, Canadá e Iraque.


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Notícia da Cisão: o que acho interessante.
O que acho interessante é que nos países apoiantes da Arábia Saudita, não esteja o Iraque. Os apoiantes que vejo partilham a mesma linha cultural, para não falar da proximidade geográfica. Partilham também um apoio declarado ao Ocidente ou pelo menos aos Estados Unidos, que seria o aliado preferencial contra o rival Irão. O Iraque ainda tem tropas Americanas e é supostamente agradecido pela sua "libertação" a estas... porque é que não está então ao lado da Arábia Saudita?

Parece-me óbvio que o Cartel funciona dividido entre ganhar o máximo possível e não matar a galinha dos ovos de ouro. Aumentar a produção pode até nem ser suficiente para inverter a escalada de preços pelo que seria sempre um bom negocio, lucrando-se com a crise da Líbia (o aumento proposto nem sequer cobre as perdas com a Líbia, a não ser que tenha havido outros aumentos antes).

Por outro lado, ela pode nem ser possível para todos os membros, excepto talvez para uns como os países do golfo... o aumento traduzir-se-ia então na prática numa alteração de cotas dentro da OPEP, a que uns objectariam.

Ou pode haver outra razão: A Arábia Saudita planeia gastar mais de 1/3 das suas reservas financeiras na prevenção da Primavera Árabe (distribuindo dinheiro por todos). Pode precisar de liquidez. Por outro lado, os países do Golfo têm interesses no Ocidente que seriam prejudicados se a Economia deste fosse atingida. E isso talvez explique bem porque é que o Iraque não está com eles. Não os tem.
A separação dos inimigos do progresso.
A desunião do cartel dos petróleos pode ser uma boa notícia.

Pode ser que desta vez o preço baixe.

Re: A separação dos inimigos do progresso.
Seja porque motivo for
É bom que baixe o preço do petróleo. E tambem seria bom e os paises OPEP seriam inteligentes se fossem aplicando parte dos lucros na pesquisa de outras formas de energia.
Re: Seja porque motivo for
Re: Seja porque motivo for
Re: Seja porque motivo for
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Edição Diária 17.Abr.2014

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