18 de maio de 2013 às 23:00
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Carta aos madeirenses

Ana Campos (www.expresso.pt)
Durante umas férias passadas na Madeira, neste último verão, dei por mim a sussurrar sobre um assunto político, numa esplanada. Fi-lo inconscientemente e, mal acabei de o fazer, de falar em sussurro, apercebi-me do absurdo que aquilo foi. Numa democracia debatem-se ideias, opiniões contrárias e critica-se abertamente. É assim que se evolui, que se anda para a frente, através da partilha civilizada de ideias. Devo dizê-lo que não foi isto que eu respirei na Madeira. Mais estranho é que isto acontece quando o vosso representante não tem travão na língua e diz tudo o que lhe apetece.

As dívidas contraídas pelo vosso governo são escabrosas mas o pior é que foram ocultadas, o que é um crime. Para além disto, houve utilizações indevidas de financiamentos. Mesmo assim, o vosso representante continua a usar uma estratégia de ataque ao continente em vez de ter a humildade de assumir os seus erros e desculpar-se e justificar-se perante o povo madeirense, o mesmo que votou e depositou a confiança nele. Parece que vive num outro mundo, num mundo só dele, que não é definitivamente o nosso. Por isso, nestes últimos dias parece que os continentais e os madeirenses estão em guerra. Ora aqui está uma bela maneira de desviar a atenção daquilo que é verdadeiramente importante. Se calhar, isto até dá jeito a algumas pessoas. Mas a verdade é que não há guerra nenhuma. Somos todos uma nação, todos portugueses e o mal de uns é o mal de todos. Por isso, não se deixem enganar porque não há qualquer guerra. No dia 9 de outubro não vão votar no Continente ou na Madeira. Vão votar no presidente que acham que é melhor para vocês.

Muito se fala na obra que foi feita na Madeira nos últimos 31 anos e é de valorizar. Muito bem, mas isso era o mínimo. Foi para isso que os madeirenses votaram nele, não foi? É para isso que é pago. A cidade de Braga e a de Aveiro, por exemplo, são cidades que cresceram muito nos últimos anos e não é por isso que as pessoas levam os seus presidentes ao colinho. É o trabalho deles, a sua obrigação, e quem se portar mal já sabe que leva logo nas perninhas. Questionem-se, informem-se! Independentemente do presidente que vão eleger, a caixa multibanco de fundo infinito já acabou.

O vosso presidente portou-se mal e agora vocês vão ser bastante penalizados e castigados como consequência dos seus atos. A Madeira está falida, endividada para além do pescoço. Já se afogou. Este senhor pode ser muito simpático e caricato mas há que saber distinguir o homem do profissional. Vocês votaram no profissional e este não esteve à vossa altura. Envergonhou-vos mundialmente. Tenham a noção de o que vosso presidente está contra Portugal, que somos todos nós, e isto só vos vai prejudicar ainda mais neste futuro confirmadamente negro. Nesta fase a birra e a postura de menino mimado só vos vai prejudicar ainda mais. Mas a opção é vossa, o poder é vosso, está nas vossas mãos, na cruz secreta que vão marcar. Contamos todos nós, madeirenses, açorianos e continentais, com o vosso voto, com a vossa reflexão justa, coerente e isenta. Lembrem-se que o dia 9 de outubro trata-se de elegerem a pessoa que é melhor para vocês para que futuramente se sintam dignos, valorizados, empreendedores e vencedores porque agora é impossível que se sintam assim. Os madeirenses valem mais do que isto.
Comentários 3 Comentar
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Mas a opção é vossa - carta de resposta.
Olá Ana Campos.
Fiquei muito sensibilizado com a carta que me escreveste cheia de inspiração, certamente obtida com a visita feita à Madeira. Porem lamento que a tua bem alicerçada carta tenha terminado tão abruptamente num abismo, precisamente a meio do último parágrafo, quando referiste que a opção seria dos madeirenses. Tu, tal como a maioria dos madeirenses estão ansiosos por saber qual será a tal opção que omitiste, o tal homem que terá capacidade para gerir uma dívida colossal que temos e negociar o seu pagamento sem deixar cair subitamente o nível de vida das populações. Lamento que não tenhas ficado pela Madeira mais uns dias para ouvir e avaliar a oposição com o objectivo de encontrar o tal homem. Nós madeirenses sabemos que para quem está desse lado do Atlântico esse PORMENOR não tem qualquer relevância, mas para nós faz toda a diferença.
Assina um madeirense com muitas dúvidas.
Da Madeira
Ana,

Gostei especialmente do seu comentário, sem incitar à guerra continente vs ilha, tocou naquilo que muitos madeirenses por cá sussurram há muitos anos. Espero que no dia 9 de Outubro, transformem esses sussurros em gritos de liberdade.
É verdade que há muita obra feita! Aliás obras a mais, muitas inúteis que não servem a população. Temos heliportos e marinas inúteis, mas não temos um hospital decente. As televisões mostraram as obras, mas não mostraram a realidade das pessoas, como vivem. Os problemas socias do desemprego, toxicodependência, etc que não são tratados com betão. Esperam-nos tempos dificeis, mas mais dificeis ficarão se continuarmos a fechar os olhos!
desconhecimento da realidade
Caríssima Ana Campos, o seu artigo não só demonstra um completo desconhecimento da realidade madeirense, como também faz querer passar a ideia de que não há democracia na Madeira. Nada mais errado. Há 9 partidos a concorrer às eleições, para não falar do pior ininimigo do Dr. AJJ, o Diário de Notícias (100% anti-regime). Ora com mais de 30 anos no poder, o homem deve ter algumas qualidades...
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