Querido filho
Venho dar-te notícias da pátria, que, infelizmente e como deves calcular, não são boas. Mas vou deixar de lado os indicadores económicos, os sinais gritantes da crise, o discurso de hoje do primeiro-ministro, notícias de que estamos fartos e nos esmagam todos os dias, para não desanimar também quem anda por fora a estudar e a tentar acreditar que não vai ter de emigrar para um país que valha a pena. Vou antes contar alguns factos dispersos, mas que podem servir para tentar entender como é que chegámos aqui. Talvez se aproveite para futuro. Tivemos as eleições da Madeira e, desta vez, os madeirenses foram votar sabendo a situação de ruína em que os colocaram trinta anos de reeleições sucessivas do seu cacique e a sua governação demente e desavergonhada. Alguns perceberam as consequências, a grande maioria não. Lá reconduziram o Alberto João Jardim, mais uma vez e com maioria absoluta. A mensagem que enviaram aos portugueses de cá foi simples: "Queremos continuar a viver assim e vocês a pagarem as contas". Pus-me a pensar o que deu a Madeira a Portugal, ao longo de todos estes anos, sabendo que, de impostos, não paga um cêntimo ao país, só recebe. Pus-me a pensar e não encontrei nada mais do que um poeta, Herberto Helder, e um futebolista, Cristiano Ronaldo.
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