Está em marcha uma verdadeira revolução na indústria automóvel. Os principais construtores aceleram os procedimentos de reconversão das suas unidades industriais para a fabricação de automóveis eléctricos e procuram antecipar a chegada destes veículos ao mercado.
No final do mês, a Mitsubishi iniciará a comercialização do seu modelo i-MIEV no Japão, onde espera distribuir cerca de 1400 unidades até 31 de Março de 2010. Estes veículos serão vendidos com base num leasing de manutenção por 4,5 milhões de ienes (cerca de €32 mil), essencialmente a grandes empresas e autoridades locais.
"Na Europa, os primeiros i-MIEV com volante à direita começarão a chegar já em Dezembro, alargando-se progressivamente a todos os países da Europa em 2010. Serão privilegiados os países com mais benefícios fiscais", revela João Viegas, porta-voz da Mitsubishi Motors Portugal, que já dispõe de dois protótipos em circulação no país.
A Nissan também está na linha da frente dos construtores que estão a desenvolver automóveis eléctricos. Em aliança com a Renault, já celebrou 27 parcerias com governos, estados e empresas especializadas, no sentido de implementar uma rede de mobilidade sustentável. O veículo eléctrico que a Nissan irá introduzir nos Estados Unidos e no Japão, em 2010 - e em Portugal, na Primavera de 2011 -, terá um design de carroçaria exclusivo e uma plataforma completamente nova. "Será compacto para a cidade, mas grande o suficiente para o transporte de cinco adultos, uma autonomia de 160 quilómetros e prestações de um veículo de 1,6 litros a gasolina, sendo que uma recarga numa fonte de alta voltagem restabelecerá 80% da capacidade da bateria em menos de 30 minutos", assegura a marca. Esta bateria será fabricada por uma parceria formada pela Nissan com a NEC e a AESC (Automotive Energy Supply Corporation).
"Como o volume de produção destes veículos será relativamente pequeno, o custo de lançamento será maior. É a razão pela qual os incentivos dos governos são necessários para apoiar os consumidores durante este período transitório", argumentou Carlos Tavares, vice-presidente executivo da Nissan, na conferência de apresentação da rede de abastecimento de veículos eléctricos Mobi-E, que está a ser desenvolvida pela Efacec, EDP Inovação, Novabase, Critical Software e CEIIA (Centro para Excelência e Inovação na Indústria da Mobilidade). Na ocasião, a Nissan disponibilizou um protótipo do seu modelo Cube para ensaios.
Do outro lado do Atlântico, a primeira unidade de pré-produção do Chevrolet Volt entrou em fase de testes duas semanas antes do previsto. A General Motors confirmou que vai investir 250 milhões de dólares (€190 milhões) na produção dos motores de 1,4 litros que equiparão o Chevrolet Volt e o Opel Ampera (versão europeia), para recarregar as baterias do veículo, assegurando-lhe uma extensão de autonomia sem estar dependente de uma rede de abastecimento. As primeiras unidades do Volt chegarão ao mercado dos EUA no final de 2010.
Por sua vez, a Tesla Motors recebeu um financiamento do Departamento de Energia do Governo norte-americano para o desenvolvimento do seu veículo eléctrico Model S, de quatro portas. Esta iniciativa surge na sequência da compra de 10% do seu capital por parte da Daimler, interessada em adoptar as soluções criadas pela Tesla nos seus automóveis. É o caso do Smart ED (Electric Drive), que já circula em testes nas cidades de Londres e Berlim, e cuja chegada ao mercado das primeiras 1000 unidades está prevista para 2010.
"Em Setembro, a versão definitiva será apresentada no Salão de Frankfurt e, com a descida do preço das baterias de iões de lítio, o seu preço não ficará muito longe do actual Smart", revela Nuno Mendonça, porta-voz da Mercedes-Benz Portugal.
Texto publicado na edição do Expresso de 4 de Julho de 2009