20 de abril de 2014 às 12:24
Página Inicial  ⁄  Blogues  ⁄  A Tempo e a Desmodo  ⁄  Carrilho vence Sócrates

Carrilho vence Sócrates

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Não, não estou a fazer futurologia sobre um congresso do PS. Estou apenas a fazer um exercício de memória . Ao longo dos últimos anos, José Sócrates e Luís Amado conduziram uma política externa um poucochinho vergonhosa no campo dos valores. Pela mão do socratismo aplicado à política externa, Portugal queria à força um lugar no Conselho de Segurança da ONU (um lugar com dois anos). Donde os namoricos constantes com as ditaduras do costume. Porque na ONU é assim: as ditaduras mandam e até controlam o comité dos direitos humanos (o regime de Kadhafi controlava este comité; não, não é piadinha minha, a realidade onuseana é que é cómica). Por um lugar com apenas dois anos, Portugal vendeu-se a tudo o que mexia no campo do autoritarismo. E ninguém pensou nos danos que isto causava à imagem de Portugal a longo prazo no campo das democracias. 

Ora, num acto de dignidade raro no mundo do socratismo, Carrilho recusou apoiar um duvidoso egípcio para o cargo de director da UNESCO . Lisboa queria apoiar um homem indigno para o cargo, porque - lá está - era preciso agradar às ditaduras (que, depois, escolheram Portugal em detrimento do Canadá para o lugar no Conselho de Segurança). Carrilho recusou, e pagou o preço. Agora, o tal egípcio apoiado por Portugal está preso. Pedir dinheiro ao FEEF/FMI não me envergonha como português. Isto, sim, é vergonhoso. Portugal foi o único país europeu que apoiou aquele indivíduo. 

 

Comentários 35 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
A diplomacia tem que ter a vertente REAL
Se não se fizer uma diplomacia baseada na real política, haverá sempre grandes entraves para a expansão da influência nacional e para os consequentes contratos que daí advêm.

Se Portugal optasse por um puritanismo levado aos extremos, mais de metade das nossa exportações deixaria de se fazer, porque infelizmente os valores democráticos ainda não envolvem a humanidade no seu conjunto.

Os comentadores têm de ter sempre em conta que os assuntos internos dos países devem ser resolvidos em primeiro lugar pelos respetivos povos e não compete aos outros estados fazer chantagens ou outras formas de pressão, a não ser que haja chacina da população indefesa e aí haverá sempre o recurso a uma operação conjunta com outros povos e nunca a uma ação isolada de um só país.
Re: A diplomacia tem que ter a vertente REAL Ver comentário
Re: A diplomacia tem que ter a vertente REAL Ver comentário
A realidade do políticamente incorrecto
Num conflito de trânsito em que temos razão, podemos ter que abdicar de tal, se o oponente for “maior” ou estiver armado; agimos diplomaticamente, pois o contrário será suicídio.

A diplomacia rege-se por interesses. É o que permite o diálogo entre dois beligerantes, mesmo na fase mais sangrenta do conflito. Para agir por “valores”, não era necessária a diplomacia – Éramos amigos dos “bons” e não queríamos nada com os “maus”.

Para mim, vergonha (apesar da responsabilidade ser sempre de quem governa, coisa precária e, que até, com quem posso não concordar) é quando o governo não assume as suas responsabilidades, nas “porcarias” que acontecem. Quando insiste na responsabilidade (ou obrigação de solidariedade) dos “outros”.

No decorrer da história recente, “diplomacias” mesmo de potências sofreram humilhações ou vexames de “ditadorezecos”, em nome dos interesses. Todas as ditaduras, para negociar, obrigam ao “beija-mão”, principalmente para consumo interno.

Sarkozy apoia os opositores de Kadafi, porque são “libertadores” e democratas? Ou porque foram a França garantir interesses? Neste momento em África (Congo, Costa do Marfim entre outros) verifica-se autênticos genocídios… por acaso Sarkozy terá derramado alguma lágrima?

Aqui, muitos escrevem contra a hipocrisia dos governos e, defendem que se deve actuar na Líbia. Mas se a decisão implicar enviar 300 ou 400 portugueses… aí, quem é hipócrita?

Muito gostamos nós de guerrear a realidade
"Realpolitik"
Aquilo a que se convencionou chamar de "Realpolitik", ultrapassa em toda a linha qualquer conceito básico de decência, racionalidade e coerência.
Daí vermos Durão Barroso a apoiar George Bush, na Invasão ao Iraque, supostamente por haver aquilo que já se sabia que não havia, armas de destruição maciça.
Se Isabel I de Inglaterra, fosse na conversa de Manuel Maria Carrilho, hoje o Inglês não era a língua mais falada no planeta, Francis Drake nunca tinha sido Almirante da Armada Inglesa, Gibraltar era Espanhol,...
Se Carrilho fosse conselheiro da Rainha Vitória, o Mapa Cor de Rosa nunca tinha existido e nós tínhamos dominado África da Costa à Contra Encosta, ....!
Portugal apenas se preocupa com as ditaduras, tais como os outros Estados na razão inversa das sua necessidades económicas e/ou interesses. A hipocrisia é isso mesmo! e ele a sempre fez parte das relações entre os Estados.
Desde que vi Mário Soares numa visita à Costa do Marfim, no palácio presidencial de Félix Houphouët-Boigny, sentado numa varanda ou muralha, assistindo com o ditador á morte de umas quantas galinhas por crocodilos que envolviam o fosso do palácio, numa cena patética de muito mau gosto, acredito em tudo na "Realpolitik"!
Quando foi isso, caro comentador? Ver comentário
Carrilho está reformado
E agora só vive para a Bárbara.Afinal era mesmo isso que ele queria,quando ministro se "apaixonou" por ela.
Re: Carrilho está reformado Ver comentário
Re: Carrilho está reformado Ver comentário
O raposo é grande!
«Prognósticos só no final do jogo»... acerta-se sempre!
Nunca me canso...

de citar Churchill !!

"Não existem países amigos ou inimigos. Existem sim, países com interesse e outros sem interesse algum".
Carrilho está só
É o único a dar a cara contra Sócrates. Tem coragem porque é inteligente, e neste momento, há pouca gente inteligente no PS...
Todos se venderam ao líder. Carrilho deu uma entrevista notável há cerca de dois meses, na sic notícias, mas que foi imediatamente abafada pela máquina socialista que tudo controla. Há um clima de medo dentro do PS que atinge até figuras históricas, como Mário Soares que se transformou numa espécie de Mascote do partido... Que triste e deprimente figura!
Chama-se realpotitik
É caso para perguntar ao HR em que mundo é que está. Antes de questionar as amizades (?) temos tratar do estômago, com certeza não vai perguntar aos EUA porque negoceiam com a Venezuela mesmo criticando o Chavez.
Carillo já perdeu
Carillo já perdeu clamorosamente contra Sócrates, porque não se apresenta como candidato a Secretário-Geral do PS, depois de todos os artigos de opinião extremamente críticos do actual SG. Em contraste, os candidatos António Brotas, Jacinto Serrão e Fonseca Ferreira, que têm tido muito menos visibilidade na comunicação social que Carillo, poderão obter uma vitória moral contra Sócrates se conseguirem uma votação significativa. Quem não vai a votos, perde sempre.
Gralha Ver comentário
Re: Carillo já perdeu Ver comentário
Brotas Ver comentário
Re: Carillo já perdeu Ver comentário
Re: Carillo já perdeu Ver comentário
Re: Carillo já perdeu Ver comentário
Re: Carillo já perdeu Ver comentário
Espelhos lá em casa?
Caro Henrique, por uma vez apoio na íntegra tudo o que pôs nesta crónica.

Os comentários do souloiro e do José Telhado demostram bem porque é que este mundo está lixado, com F, e sempre esteve!
Senhores como estes não têm quaisquer princípios; são os arquétipos do chico-esopertismo. Vale tudo para levar a deles à frente.
Senhores como estes não têm coluna vertebral. Todos os seus princípios e valores são maleáveis. O que interessa é conseguir o que querem com o mínimo de esforço e o mais rapidamente possível.

Caros senhores, sei que são mais «espertos» do que eu por isso não me alongo em considerações.
Deixo no entanto uma pergunta: como há-de este mundo redimir-se sem quem olhe para as hipocrisias e injustiças sem lhes dar o rótulo carinhoso de «realpolitik»? Como, meus senhores?

Não me admira que apoiem o figurão (Zé Pinto) que apoiam. Doutra forma não podia ser.
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
Re: Espelhos lá em casa? Ver comentário
CLaro, evidente e verdadeiro. Obrigado por isso.
Permita-se que diga " o actual governo português foi o único europeu que apoiou aquele indivíduo"

Não pode haver confusão entre Portugal e o governo "transitorio" que temos. Os governos são sempre transitório e a lei não permitem que se perpectuem. Porquê ? não porque sendo bons, impolutos, não promúiscuos, sem boys, ... não devessem continuar a sua boa governação! Não é por isso, é porque há sempre o risco que quase sempre se confirma de que os governantes se "alapam" e usam e abusam dos seus poderes, explorando o cidadão contribuinte e olhando apenas para o seu umbigo político, o que lhes é exigido pela máquina partidária. Jà se diz que a democracia é o melhor que se pode ter e que os partidos são a causa de todos os males, a casa onde não há valores ....

Donde este governo transitório alberga uma casta política que há muito se distanciou do país real, daqueles que os elegeram, e ... portanto já estão a mais, estão "alapados" e não há decapante que resolva!

Vergonhoso! disse muito bem...
Convirá dizer que o mundo do socratismo não tem que abandonar os valores (não puritanismo) e andar de braço dado com tudo quanto não cheira bem ....

Há por este mundo fora governos, governates e paíse, que até vivem bem e muito bem, que são o fiel (ou quase) ou se pautam por valores e que se associam a gente de bem. Adquiriram o respeito mundial e são exemplo de cicilizações avançadas.
Por cá tudo fede.
CLaro, evidente e verdadeiro. Obrigado por isso.
.. O wikileaks ...
... merece o NOBEL
... nós merecemos um mundo mais verde
... nós merecemos governos mais "verdes"
Herança Extremamente Vergonhosa...
E, eu quero apenas colaborar com o seu “exercício de memória”... porque ao longo dos últimos anos, nós cá no Brasil, fomos também conduzidos por uma política externa extremamente “vergonhosa no campo dos valores.” Percebam aí!.. “Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido”!...
“O texto trata do acordo celebrado entre o Brasil e o Egito para transformar em secretário-geral da UNESCO o ministro da Cultura de Mubarak, Farouk Hosni, um antissemita de carteirinha cujo currículo incluía a queima de livros escritos em hebraico. Para reafirmar a amizade entre Lula e o ditador preocupado com a justiça social, o chanceler Celso Amorim dinamitou a candidatura do brasileiro Márcio Barbosa, até então o franco favorito. “Há um acordo entre nossos países, e isso está acima da nacionalidade dos eventuais concorrentes”, recitou Amorim. O acordo que estava acima do lugar de nascimento determinava que o escolhido seria um candidato nascido no Egito. A leitura do post prova que em setembro de 2009, quando os dois parceiros choraram juntos a derrota de Farouk Hosni, o governo brasileiro não estava entre os que sabiam que “era necessário voltar a democracia no Egito”. Há pouco mais de um ano, portanto, continuavam em vigor os elogios feitos por Lula a Mubarak em 2003." http://veja.abril.com.br/...
UMA EX-COMUNISTA VENCEU UM ÁRABE
O Sr. Farouk Hosni, pintor egípcio galardoado com vários prémios da Paz em Itália e no Japão foi vencido pela Srª Irina Bokova, ex-membro do partido comunista da Bulgária e actual Directora-Geral das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (UNESCO). Seguindo a ligação que o comentador tão amavelmente disponibilizou a dita senhora ganhou no final de cinco votações, com 31 votos a favor contra 27 de Hosni. Parece que não foi só Sócrates que o apoiou.
Mas será que o senhor jornalista vive neste mundo?
Só queria deixar um pequeno comentário sobre este assunto, mas começo a aperceber-me que o senhor jornalista nutre um certo «ódiozinho» pelo P.M.. Caso não fizessemos negócios com a Líbia, caso não tivessemos assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, não seria o senhor a criticar o Governo por estar a pôr em causa a exposição externa do País e a própria economia?
PUBLICIDADE
Expresso nas Redes
Pub