22 de maio de 2013 às 18:58
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Carlos Guerra: Duas versões para uma demissão

José Sócrates anunciou demissão de Carlos Guerra, gestor do PRODER, que Jaime Silva tinha acabado de negar.
Filipe Santos Costa
José Sócraqtes durante o debate quinzenal desta tarde na Assembleia da República José Sena Goulão/Lusa José Sócraqtes durante o debate quinzenal desta tarde na Assembleia da República

Carlos Guerra, gestor do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) e arguido no caso Freeport , colocou o seu lugar à disposição e vai ser substituído pelo Governo. O anúncio foi feito por José Sócrates, esta tarde, no Parlamento , em resposta a uma pergunta do PSD . Mas, poucos minutos antes do primeiro-ministro dar essa novidade aos deputados, o ministro da Agricultura garantia aos jornalistas, à porta do Plenário, que Guerra continuava em funções.

"Não tenho dados nenhuns, as questões do Ministério Público obviamente não sei e não comento", disse e repetiu Jaime Silva, quando os jornalistas lhe perguntaram se iria manter em funções o dirigente do seu ministério que acaba de ser constituído arguido devido à sua intervenção no processo Freeport, numa altura em que presidia ao Instituto de Conservação da Natureza.

Admite afastar o engenheiro Carlos Guerra?, perguntaram. "Não, admito ouvi-lo", respondeu Jaime Silva, explicando porque razão ainda não tinha falado com Guerra: "Cheguei ontem à noite de Bruxelas, trabalhei toda a manhã, vim para a Assembleia da República e reuno com um director do Ministério logo à tarde."

Para falarem da questão do Freeport? Não, explicou o ministro - seria um encontro normal, que "já estava programado", para falarem de uma reunião que o responsável pelo PRODER teve segunda-feira com a Comissão Europeia. "É normal que eu reuna com Carlos Guerra todas as semanas."

Afinal, explicou logo depois o primeiro-ministro, o homem com quem o ministro dizia que ia reunir já estava afastado de funções desde a semana passada. "O arquitecto Carlos Guerra falou com o senhor ministro da Agricultura na semana passada, imediatamente a seguir ao momento em que foi ouvido pela Polícia Judiciária (PJ), comunicando ao senhor ministro que tinha sido constituído arguido e que, portanto, ele achava que devia colocar seu lugar à disposição e que o Ministério da Agricultura fazia bem em escolher um outro responsável".

"O senhor ministro da Agricultura agradeceu-lhe o gesto, agradeceu essa carta e tomou a decisão de nomear um novo gestor para o PRODER. É assim que se comporta um Governo decente. O Governo vai nomear um novo responsável pelo PRODER", concluiu José Sócrates.

Imediatamente após o anúncio do primeiro-ministro, Jaime Silva voltou a sair do Plenário para falar aos jornalistas. O discurso tinha mudado e, afinal, Carlos Guerra já tinha sido afastado - sem serem necessárias mais reuniões. "O arquitecto Carlos Guerra pôs o lugar à disposição e eu tomei em consideração a iniciativa dele." E agradeceu a "generosidade" do seu antigo subordinado por se ter afastado.

Durante o debate, Diogo Feio, líder da bancada do CDS , notou a discrepância entre o que dizia o chefe do Governo e o seu ministro. Após os trabalhos, Paulo Rangel, presidente da bancada do PSD, apontou o dedo a mais do que uma divergência: "O primeiro-ministro desmentiu o ministro da Agricultura. Isto revela uma grande desorientação do Governo."

Comentários 7 Comentar
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A confusão total!
Um Primeiro Ministro não se pode dar a estes "luxos"... nem mesmo em tempo de caos total.
CONSELHO
Deviam enviar o primeiro ministro e o ministro da agricultura para a escola aprender inglês, francês ou alemão, porque em Português eles não se entendem.
Cumprimentos
Nem sabem mentir!...
Duas versões
e bem diferentes,
são medonhas as aversões
a estes políticos incoerentes.

Nem sabem mentir
pois são logo apanhados,
é uma forma de transvestir
estes políticos definhados.
Uma de duas: ou Pinócrates, ou Jaimóquio!
Ou o Arqº Guerra se demitiu na semana passada, e o Dr. Silva mentiu, ou se demitiu hoje, e o Engº Sócrates mentiu.
Escandalizados?
Não, o dilema não merece mais do que um encolher de ombros.
Mas é pena...
TRAPALHADAS E MAIS TRAPALHADAS. BASTA!
Para evitar tais coisas acaba de nascer a NOVA ESQUERDA que através de um código ético dos servidores Publicos, acabará em definitivo com estas cenas, porque desde que haja fortes indicios da violação do código ético ,o agente politico ou administrativo será afastado do exercicio dos seus cargos.

asilva
Guerra ao guerra
Estas trapalhadas são de sumenos importancia para quem já está habituado a feridos, assassinados e esfaimados.
Vamos ao que interessa: O homenzito deixa o PRODER e não deixa o Gabinete de Planeamento que tem muito mais poder? Ora bolas para a demissão!!!
Confusão, incompreensivél!
Este tipo de contradições, não são admissivéis!
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