Carlos Castro e Renato Seabra directamente da pastelaria
Entrei na pastelaria da esquina, o melhor local para se saber o que se passa no mundo e arredores, e ouvi uma senhora gritar para o outro lado do balcão corrido que Carlos Castro ia ser "cromado". Que tinha "pedido para ser cromado e as suas cinzas espalhadas de um prédio com mais de 10 andares". Com todo o café a ouvir, e como se fosse grande amiga do falecido, dizia ainda a senhora que "o Carlos andava com medo de dormir com o garoto já há alguns dias". Tudo isto regado com uma meia-de-leite acompanhada de meia torrada em pão integral.
Do outro lado da vitrina, o dono da pastelaria, com uma regueifa na mão esbracejava: "conheço uma prima de um vizinho do miúdo que garante que ele não é "homem-sexual". Aquilo deve ter sido o Senhor que o pressionou, dizem que até lhe andava a pôr comprimidos na sopa...o miúdo devia era andar alucinado". Enfim... há explicações para todos os gostos...e teremos certamente em cada café do país 10 Sherlock´s de bigode e sem cachimbo dispostos a resolver em 5 minutos e entre duas taças ginja este mistério nova-iorquino.
Porém, a pergunta que eu ainda não vi ninguém colocar é porque é que um homem de 65 anos andava em "lua-de-mel" (como o próprio lhe chamou) com um garoto de 21 em Nova Iorque? E atenção, digo isto sem qualquer conotação homofóbica ou preconceituosa em relação à diferença de idades (44 anos). Que fique bem claro que cada um faz o que quer com quem quer, é-me igual ao litro. As pessoas maiores de idade são livres de terem as relações consensuais que bem entenderem sem que ninguém tenha algo a ver com o assunto.
Pergunto por uma só razão: um puto de 21 anos é isso mesmo - um puto de 21 anos. Nada ou quase nada sabe da vida e lá terá os seus sonhos, expectativas e ilusões . As dele e as que lhe criam. A maioridade não se ganha com um dígito ou dois a mais no BI. A maturidade ou não dos actos cometidos é bem diferente da legalidade destes. Estaria este garoto preparado para uma relação deste género, mesmo que conscientemente achasse que iria beneficiar com ela? Não me parece. Todavia não há qualquer tipo de desculpa ou justificação para o que fez.
Uma pessoa de 65 anos com a experiencia de vida de Carlos Castro, por muito iludida ou enamorada que estivesse, acreditaria que um qualquer Renato de 21 anos desta vida se apaixonasse loucamente por ele? Acho mesmo que este caso mistura muito de ingenuidade com fantasia e ilusão, de parte a parte. Uma estranha ligação que terminou da pior forma.
No meio desta tragédia estão muitas pessoas. Renato não só tirou a vida brutalmente a Carlos Castro, esmagou a sua própria vida e arrastou duas famílias para um pesadelo.


