Carlos Castro e Renato Seabra abafaram presidenciais
Ontem a discussão girava em torno das cinzas de Carlos Castro. E não deixa de ser normal que assim seja. Isto porque apesar de estarmos em plena campanha eleitoral para as presidenciais é mais provável que Carlos castro renasça das cinzas do que Cavaco Silva não vença à primeira volta. E no fundo que é a agenda política portuguesa hoje em dia senão um monte de cinzas onde meia dúzia adora escarafunchar?
Esta campanha estava a ser bastante emotiva como se sabe. Acho mesmo que não me recordo de uma campanha eleitoral tão fraca, desinteressante e sem ideias. Um deserto. Pior mesmo só a eleição pró-forma para o Governo Regional da Madeira. Pelo que qualquer tema "mais abrangente" como seja o Benfica andar a fazer castings para uma nova águia ou o Cristiano Ronaldo ter pintado as unhas dos pés de amarelo canário tornam-se facilmente temas do momento. E o momento é a morte de Carlos Castro, Renato Seabra e o saca-rolhas.
Ontem mesmo em Cantanhede o jovem Renato Seabra conseguiu reunir mais gente numa praça do que qualquer um dos candidatos presidenciais que por ali passou. Enquanto isto Fernando Nobre andava no terreno a tentar que as pessoas consigam associar o seu nome à sua cara, tarefa que se tem revelado bastante difícil. Há dois dias uma senhora chamava-lhe "engenheiro presidente" "Não minha senhora é o candidato Fernando Nobre" - respondeu-lhe a jornalista. "Ah... então não sei quem é".
As manifestações de solidariedade para com Carlos Castro e Renato Seabra têm sido bastante mais efusivas do que as sentidas em relação à maioria dos candidatos presidenciais. Estou mesmo em crer que se qualquer um deles, Carlos ou Renato, dispusesse de uma foto e nome no boletim de voto no dia 23 estaria em melhores condições de ir a uma segunda volta com Cavaco silva.
O desinteresse que estas eleições suscitam à grande maioria dos portugueses é gritante. Muitos desistiram. E a culpa é só e apenas de uma classe política fraca, desinteressante, na sua grande maioria incompetente e sem qualquer capacidade de mobilização em torno de ideias concretas que rasguem o espectro político actual podre e decadente. Os portugueses vivem uma relação de amor-ódio com a política. E neste momento odeiam-na. E com razão.


