24/05/2012 atualizado às 1:52
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Carenciados atendidos pela Cáritas passaram para 62 000

Em apenas um ano, o número de pobres atendidos pela Cáritas aumentou de 5000 para 62 000 pessoas. Instituição adverte que"o período negro da crise ainda não chegou".

11:26 Segunda feira, 15 de novembro de 2010
Para a Cáritas, o período negro da crise ainda não chegou
Para a Cáritas, o período negro da crise ainda não chegou
António Pedro Ferreira

Em apenas um ano, o número de pessoas atendidas pela Cáritas aumentou de 5000 para 62 000 pessoas, em 13 dioceses de Portugal. De acordo com o Conselho Geral da instituição, "há já duas consequências que se estão a notar muito como reverso deste problema de austeridade": o aumento dos divórcios e da violência doméstica.   

A Cáritas adverte que "o período negro da crise ainda não chegou" e que o desemprego vai subir, recomendando "um menor despesismo" e uma "luta permanente contra as assimetrias sociais". O presidente da instituição, Eugénio Fonseca, apela  à generosidade dos portugueses.   

Ajuda aos mais necessitados


"De outubro do ano passado para outubro deste ano, em número de pessoas atendidas em 13 dioceses - e cada diocese em cinco paróquias, portanto já alargando mais o espaço - nós passámos de 5000 para 62 000", disse Eugénio Fonseca, à margem da reunião do Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, que terminou ontem em Fátima.

"Deixo o apelo às pessoas que tenham recursos que pensem nos outros que os perderam, porque no nosso país ainda há gente a auferir bons salários", exortou Eugénio Fonseca, pedindo às pessoas que confiem ao Fundo Social Solidário , regulamentado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), ou "a qualquer outra instituição a sua solidariedade para que chegue àqueles que está a faltar o essencial para poderem subsistir". 

No encontro, responsáveis de 19 das 20 Cáritas Diocesanas refletiram sobre a forma como a instituição vai "enfrentar o futuro" e os dados relativos à ajuda prestada aos mais necessitados. 

Segundo o dirigente, os números já analisados confirmam a tendência de "aumento significativo nalgumas zonas do país" do número de pessoas atendidas pelas Cáritas Diocesanas. 

Eugénio Fonseca estima que, globalmente, haverá um acréscimo, face ao ano passado, de 20% a 30% de pessoas que no último ano passaram a receber apoio da instituição, sublinhando, contudo, que estes valores não espelham a realidade, pois apenas se está a abordar casos de pessoas atendidas pela Cáritas. 

"Combate ao défice não justifica tudo"


"É o desemprego, neste momento, a razão principal que leva as pessoas a procurar-nos", garantiu o responsável pela Cáritas. 

"Se compararmos com as taxas de desemprego -- e tendo nós a certeza de que muitos dos desempregados caem automaticamente em situação de privação de recursos -- estes números são muito mais significativos", observou, sustentando que o combate ao défice "não pode justificar tudo". 

Eugénio Fonseca sublinhou que na "luta por vencer o défice" há que salvaguardar a "dignidade" das pessoas que devem ter "o mínimo de condições para subsistirem". 

O presidente da Cáritas estranha, contudo, que os cortes estejam a ser feitos "em áreas tão estruturais", como a educação, a saúde e a ação social. 

"É aí que se pode cortar mais porque a fatia é maior, mas é aí que se fragiliza mais a sociedade portuguesa", alertou Eugénio Fonseca.

O pior está por vir


Uma vez "que a taxa de desemprego vai subir e este será de longa duração, o período negro da crise ainda não chegou", lê-se no comunicado final do Conselho Geral da instituição, que reuniu em Fátima representantes de 19 das 20 Cáritas Diocesanas do país. 

No documento, a Cáritas reitera que "muitas famílias não conseguem fazer face às despesas, o que torna a crise mais profunda", reconhecendo, por outro lado, que "uma parte significativa da população caiu no consumismo desenfreado, não alimentou hábitos de poupança e não cooperou civicamente a favor da solidariedade e da superação da crise". 

A instituição considera também que existem na sociedade portuguesa situações que exigem "profunda reflexão", como a "escassa penalização dos rendimentos mais elevados, incluindo as pensões de reforma", ou a "diminuição de salários da administração pública".

"O notório prejuízo das famílias mais numerosas no que respeita ao abono de família, a diminuição de algumas prestações sociais, sem perspetivas da renovação da ação social a favor das pessoas mais carenciadas, o aumento do custo do sistema de justiça, que já era insustentável para os cidadãos de baixos rendimentos, e o aumento do custo de vida, através do aumento do IVA" são para a Cáritas outras matérias a merecerem reflexão. 

Cáritas não tem capacidade para mais


"Infelizmente algumas Cáritas Diocesanas já não têm a capacidade para atender todas as situações que lhe aparecem", referiu o responsável, explicando que, por isso, aquela percentagem "peca sempre por defeito". 

Eugénio Fonseca insistiu que, "por contabilizar, ficam aquelas pessoas que procuraram a Cáritas" mas "porque não tem recursos ou porque aquilo que as pessoas necessitam não está ao alcance, a Cáritas não pôde responder".

"Isto só para frisar que os números são números muito rudimentares face à realidade", declarou, reconhecendo que a crise é um mal generalizado pelo país, embora existindo zonas mais problemáticas. 

Segundo o presidente da Cáritas os pedidos de ajuda têm "sobretudo a ver com o desemprego", que "depois traz coisas associadas", como a ausência de alimentos ou a impossibilidade de aquisição de medicamentos. 

Observatório de Ação Social


Entretanto, os bispos vão criar um Observatório Nacional de Ação Social para que a Igreja Católica possa responder de forma imediata à situação do país, revelou o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social. 

O objetivo é "recolher os dados de cada diocese para termos uma resposta imediata da situação do país e, dado que nos próximos anos vamos ter dificuldades, nós podermos acompanhar a par e passo aquilo que é a realidade verdadeira da pobreza e das situações mais carenciadas no país", disse Carlos Azevedo.

O também bispo auxiliar de Lisboa esclareceu que neste âmbito há os observatórios da Cáritas e de três centros da Universidade Católica, com os quais esta iniciativa vai ser articulada e incluir representantes das dioceses. 

 

 



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Quando a Politica mendiga
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 12:37 | Segunda feira, 15 de novembro de 2010
Pobre Politica: os eleitos pelo Povo também te abandonaram.
Sócrates e o seu Governo entregaram-te á sopa dos pobres!
 
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O "Tenebroso"..
Fernando Torres (seguir utilizador), 2 pontos , 15:32 | Segunda feira, 15 de novembro de 2010
A José Sócrates ficar-lhe-ia muito bem o cognome de "O Tenebroso"..ou não foi ele que afirmou que raros são os politicos que dão o seu nome a uma época ?..

Cerca de 1200% de aumento..é isso que reflectem os numeros indicados pela Cáritas..mais cerca de 57.000 pobres que essa instituição passou a assistir..

A esses cerca de 57.000 necessitados que a Cáritas assiste dever-se-ão juntar muitos mais outros que outras Instituições de Solidariedade também assistem...

Sócrates é..politicamente..um disléxico..prometeu criar 150.000 empregos e na realidade o que já criou foram quase 2 milhões de pobres..

E ainda a procissão vai no adro...
 
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chocante
ctrlaltdel (seguir utilizador), 1 ponto , 15:22 | Segunda feira, 15 de novembro de 2010
Absolutamente chocantes estes numeros da caritas. Parabens pelo bom trabalho e boa sorte para o futuro.
 
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Cáritas
pamaga (seguir utilizador), 1 ponto , 9:28 | Terça feira, 16 de novembro de 2010
Os hotéis e vivendas na Serra da Estrela estão esgotados para o Natal e Fim de Ano, assim como todo e qualquer concerto no Pavilhão Atlântico, Coliseu do Porto ou de Lisboa, então como é possível? será que depois vão para as IPSS pedir uma sopa e que lhes paguem as contas de energia, água, gás e as prestações dos empréstimos?
 
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