24 de abril de 2014 às 4:13
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Cancelada greve nos hiper e supermercados

A Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços desconvocou a greve marcada para a véspera de Natal nos hiper e supermercados.
Lusa
A APED classificou a greve de atitude oportunista e demagógica do sindicato António Pedro Ferreira A APED classificou a greve de atitude oportunista e demagógica do sindicato
A Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços (FEPCES) cancelou a greve marcada para a véspera de Natal nos hiper e supermercados e outros espaços de comércio moderno, refere o sindicato na sua página da internet. 
 
"Face à posição expressa, especialmente, das empresas que estão a comunicar aos trabalhadores que a proposta da Associação Patronal (APED) é retirada e à posição já expressa pela APED, em particular na reunião informal hoje mesmo realizada, o CESP/FEPCES retira o Pré-Aviso de Greve para 24 de Dezembro, na Grande Distribuição, na convicção que não vão para a frente as 12 horas/dia e as 60 horas por semana fixadas de véspera", lê-se naquela página. 

O sindicato acrescenta que "estão reunidas as condições para prosseguir as negociações" sobre a actualização dos salários e congratula-se com a "mobilização e organização" dos trabalhadores que considera terem sido "determinantes" para inviabilizar o modelo de "flexi-segurança à portuguesa", que pretendia aumentar as 40 horas de trabalho semanais para as 60 horas. 

Mais horas de trabalho semanais


APED e FEPCES estão em desacordo quanto à proposta da associação de aumentar o número de horas semanais de trabalho flexível para o máximo previsto no actual Código de Trabalho, que possibilita acrescentar mais quatro horas às oito horas diárias, até a um máximo de 60 horas semanais.  
 
O presidente da APED, Vicente Dias, em declarações à Lusa, explicou não ter havido hoje qualquer reunião entre a APED e o sindicato, tal como a associação tinha anunciado em comunicado. 
 
"Apesar da reunião ter sido cancelada, os membros da FEPCES deslocaram-se na mesma à sede da APED e, apenas por uma questão de cortesia, foram recebidos num encontro muito breve", afirmou Vicente Dias.  

Reunião cancelada


A APED cancelou hoje a reunião com a FEPCES, a quarta desde que em Outubro começou a negociar a revisão do acordo colectivo de trabalho, justificando não existirem as "condições necessárias" para retomar as conversações enquanto a greve não fosse desconvocada. 
 
O presidente da APED classificou a greve como uma medida "injustificável" e "inútil", defendendo que o sindicato "deve olhar para a empresa de uma forma global".

Comentários 6 Comentar
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greve
Os lobos da distribuição ficaram gagos, mas se a malta do pé rapado se apercebe da força que tem ao fazer greve, nesse dia fica muito milhão por entrar no covil ai fica fica
Á com cada um
Trabalhar 12 h por dia e por cima com o ordenado minimo, boa medida civica.
Uns andam de bicicleta para outros andarem de Ferrari.
Grande democracia pior que a do Dr Salazar.
Expirou
A greve como forma de luta, já teve o seu tempo áureo. A evolução dos tempos remeteu-a para o museu onde permanecerá por tempo indeterminado. A precaridade do trabalho, o desemprego e o medo que paira sobre quem precisa de trabalhar, faz com que esta forma de luta tivesse caído em desuso. Era pois expectável que a mesma tivesse sido abortada. O tempo que vivemos não está para reivindicações de direitos. Está mais para a observância dos deveres. E quem trabalha sabe e "sente" no dia a dia que a manutenção do seu posto de trabalho, depende muito daquilo que fizer. Se nada fizer, o patrão considerá-lo-á dispensável. Já agora, que tal os sindicatos preocuparem-se com os desempregados ? São cada vez mais. Embora, coitados, não tivessem dinheiro para pagar as quotas a quem supostamente os "defende" e "representa".
Re: Expirou Ver comentário
E o resto?
Alem da tentativa das 60 horas semanais, sabiam que por exemplo no modelo do montijo, nos ultimos 2 meses, muitos efectivos foram transferidos para longe de casa, que os horarios é ao sabor do vento, hoje o chefe diz o horario da amanha, que os dias de folga é conforme o chefe ou director quer. Maes que nunca estao com os filhos devido a horarios que não lembra a ninguem. Clima e medo e coloboradoras massacradas psicologicamente chegando ao cumulo do director afirmar que é um deus. Casos de pessoas da caixa colocadas na peixaria sem nunca terem trabalhado com facas e sem qualquer formação com o perigo de ficarem sem uma mao, tudo para se despedirem e colocarem contratados com ordenados mais baixos. Ninguem imagina o que anda acontecer nos hipermercados portugueses, Está em curso uma estrategia pelo grandes grupos aproveitando a crise para ganhar muito mais do que já ganham. Isto das 60 horas não é nada do que realmente se passa e os trabalhadores principalmente as mulheres não falam por terem medo de perder o emprego
As grandes superficies tornaram-se um Império
Os governos ao deixarem abrir super e hiper mercados como cogumelos por todo o país, em que há sítios que a algumas horas do dia, estão completamente às moscas, cria uma situação caricata de volatilidade no emprego, que nem a flexibilização em vigor no novo Código de Trabalho vai atenuar ou resolver.

Os patrões com forte poder económico/financeiro por usarem os pagamentos "cash" e pagarem a 90 dias aos desgraçados dos fornecedores, que tem de aceder ao seu poder, pois, caso contrário não tem onde colocar os seus produtos por falta de estruturas (produção/logística) e se sujeitam exclusivamente ao mercado nacional, principalmente nos produtos perecíveis.

Os patrões sabem que com alto desemprego e em tempos de crise é a situação ideal e favorável para prepotentemente imporem as suas exigências de não formação, excesso de horários e baixos salários.

Os trabalhadores infelizmente não tem força para se confrontarem com uma greve e que se aderirem correm sérios riscos de ficarem apontados para que numa próxima oportunidade, serem os primeiros a virem para a rua e não há inspectores espalhados pelo país, para fiscalizar estas graves situações, inclusive chega-se ao ponto de serem os próprios trabalhadores a não dizerem aos fiscais, as tropelias da entidade patronal por via dos chefes e gerentes de loja.

Depois chega-se a este ponto de medo de fazer greve, por receio dos próprios sindicatos de poder ser um fiasco, que deixaria marcas difíceis de prever.
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