O país está em risco de paragem com a greve das empresas de transporte. Já não há combustível no aeroporto e nem mesmo o jogo de Portugal frente à República Checa faz o país desviar os olhares dos camionistas.
Nos blogues não há piquetes grevistas e o assunto está na ordem do dia. "Pode ser que daqui a pouco já tudo tenha terminado, mas até agora a paralisação dos empresários de camionagem serviu para pelo menos duas coisas: (1) Revelar a extraordinária fragilidade do sistema de logística - bastaram dois dias! (2) Relembrar outras paralisações de empresários de transportes, de má memória", escreve José M. Castro Caldas no Ladrões de Bicicleta.
No Atlântico online, André Abrantes Amaral define o que a greve veio pôr a nu. "O aumento do preço do petróleo e a chantagem dos camionistas vem pôr a nu um erro de duas décadas: A aposta nas auto-estradas. Um país pequeno no canto da Europa está pejado de auto-estradas onde é cada vez mais caro circular. São as portagens, o combustível e o custo da manutenção dos automóveis. Demasiado dispendioso para um país de cidadãos falidos e de fraca produtividade."
Recados a Sócrates...
As atenções estão também centradas no Governo de José Sócrates. Os bloguers deixam recados ao executivo. "Considero profundamente injusto que o governo assente benefícios para qualquer actividade empresarial, iludindo e mascarando um fundamento económico que se apresenta fatídico - o aumento do preço do petróleo. Se o governo puder baixar os impostos, que baixe o IRS escalonadamente privilegiando os escalões médios e baixos", diz João Távora no Corta Fitas.
... e à oposição
No entanto, a oposição não fica livre da 'pena' da blogoesfera, no que diz respeito à 'crise dos camionistas'. "Diz-se que chefia a oposição ao Governo mas, até agora, ainda não se lhe ouviu um comentário digno de registo ou uma alternativa credível àquilo que Sócrates está a não-fazer para resolver o enorme problema em que o País se encontra", lê-se num post do Blasfémias em baixo de uma fotografia de Manuela Ferreira Leite.
Vital Moreira define, no Causa Nossa, o silêncio do maior partido da oposição: "Um das notas mais intrigantes a propósito da "greve" selvagem dos camionistas é o comprometedor silêncio do PSD, suposto líder da oposição e candidato ao Governo. Nada sobre o protesto, nada sobre os seus excessos violentos, nada sobre a ilegalidade que campeia nas estradas de Portugal. Só que nestas circunstâncias, o silêncio é cúmplice."