24/05/2012 atualizado às 1:52
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Camilo e as mulheres espancadas

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 29 de novembro de 2011

"A senhora é indigna de Baltasar Coutinho. Um homem do meu sangue não aceita para esposa uma mulher que fala de noite aos amantes nos quintais. Vista-se depressa, que vai para o convento" (Amor de Perdição). "Manda-me por tanto sahir? Sim, se a senhora não quizer ir para o convento. Não vou (...) Bem sabe que a honra d'um homem... Seu marido tem de dar contas à sociedade..." (Os Brilhantes do Brasileiro, ed. 1905).

Este é um dos grandes temas da prosa camiliana: a mulher forte que resiste ao macho lusitano, seja ele o pai ou o marido. Se há a mulher hawksiana também há a mulher camiliana . Nos livros de Camilo, as mulheres nunca são peras doces; são fortes, de pêlo na venta mesmo quando são bonitas. Aliás, têm pêlo na venta porque são bonitas. E, neste sentido, põem em causa os códigos morais da sociedade dominada pelo tuga. 

Lembrei-me desta mulher camiliana quando revi - na semana passada - os números da violência doméstica. Na ausência do convento, tem sobrado apenas uma saída para o macho português, coitadinho, limpar a sua reputação: bater ou matar a sua mulher. Todos os anos, morrem cerca de 40 mulheres portuguesas às mãos de maridos assombrados pelo rótulo mortal: corno (ou cornudo, para os amigos). 40 mulheres assassinadas em casa - todos os anos - pelos próprios maridos não é brincadeira. Não é um acaso. É um indicador de uma sociedade pouco branda. E estas 40 mulheres são apenas a ponta sangrenta do iceberg. No ano passado, foram contabilizadas 30 mil participações de violência doméstica junto das autoridades . Mas quantas ficaram por contabilizar? Muitas com certeza. Seja como for, importa registar que, nesta questão, a diferença entre o tuga e o tal islamita está no grau e não na natureza. Bem-vindos, portanto, à República Islamita de Portugal.

Moral desta história camiliana? É simples: se anda a cair muitas vezes nas escadas do prédio, se anda a partir o rosto em três sítios diferentes com sucessivas escorregadelas na banheira, a minha cara leitora só tem de fazer uma coisa: ir à esquadra mais próxima com um livro de Camilo debaixo do braço.
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As leituras superficiais do imediato
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 9:05 | Terça feira, 29 de novembro de 2011

Há pessoas que basceram para constatar apenas aquilo que está à frente do nariz, sem perceberem efectivamente e muito menos se quererem interrogar sobre as origens do que observam.

A misoginia foi legitimada e tornada "natural", "aceitável" e "legítima" por discursos simbolicamente violentos, nomeadamente por parte de instituições e de instâncias religiosas.

Basta abrir a bíblia para nela encontrar dezenas de passagens misóginas, onde a mulher é tratada como um mero objecto (até um dos mandamentos do "bondoso" e "justo" deus coloca a mulher como propriedade do homem) e onde se diz que as mulheres devem ser submissas aos homens ou que não são dignas de falar nas igrejas ("é idecente a mulher falar na igreja" - segundo o "grande" são Paulo).

Entretanto, o que por aí não faltam são santinhos que exaltam os santinhos destes e de outros tempos e esquecem o papel que estes tiveram e têm na reprodução de lógicas misóginas.

O arcebispo de Granada (aqui mesmo ao lado, em espanha) disse que, "se as mulheres abortam, isso dá aos homens, o direito absoluto, e sem limites, de abusarem do corpo dessas mulheres".

Quem é que é "santo", Henrique?

Santo (também) é sinónimo de ingénuo. não é?

 
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    Re: As leituras superficiais do imediato    Ver comentário
poiz (seguir utilizador), 2 pontos , 9:20 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: As leituras superficiais do imediato    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 18:40 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: As leituras superficiais do imediato    Ver comentário
Marafarrico (seguir utilizador), 1 ponto , 14:58 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: As leituras superficiais do imediato    Ver comentário
poiz (seguir utilizador), 1 ponto , 16:23 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: As leituras superficiais do imediato    Ver comentário
Marafarrico (seguir utilizador), 1 ponto , 18:50 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: As leituras superficiais do imediato    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 21:05 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Mau ângulo
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 8:50 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Abordagem infeliz de um assunto sério. A independência económica de muitas mulheres, associada a uma melhor formação cultural, resultou na exigência de um outro modelo de relacionamento, em que a relação de dependência se esbata e apareça uma associação de iguais.
Muitos homens não estão preparados para ceder no seu papel de galo da capoeira e o conflito aparece.

Será que a média de conflitos tem algo a ver com a ocupação centenar árabe ??

Um estudo interessante a fazer..................
 
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    Re: Mau ângulo    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 21:11 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
HR
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:12 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Dinheiro, política e religião são três entraves de se resolver facilmente ao qual o homem se devia dedicar a tirar as ilações devidas.
 
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'Camilo e as mulheres espancadas
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 10:10 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
A ironia é que noutras alturas, para contestar a excecionalidade da sociedade Árabe que o Henrique tantas vezes lhe atribui, comparei não poucas vezes esta à nossa realidade do dia a dia. E eis que se segue a conclusão óbvia: em vez de com isto normalizar o discurso no sentido de se aceitar essa violência como algo endémico às várias sociedades que é preciso combater, passamos a "República Islamita de Portugal". Não admira que depois se lembrem de relacionar tudo isto com a ocupação Árabe... não tem emenda, Henrique!

Mas gosto do seu toque e insistência na mulher camiliana. Eu não acredito que em questões de violência doméstica, a mulher seja sempre parte frágil. Existem muitos tipos de violências e forças e muitas mulheres não estão inocentes de as praticar. Mas a força feminina que descreve tem apelo e atração.

Mas na falta da notícia comentada, gostava de saber mais sobre estes números para além do seu valor absoluto (já que uma morte por ano já seria demais): verifica-se alguma tendência? Têm piorado ou melhorado?
 
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    Re: 'Camilo e as mulheres espancadas    Ver comentário
moncarapacho (seguir utilizador), 2 pontos , 11:53 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: 'Camilo e as mulheres espancadas    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:27 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: 'Camilo e as mulheres espancadas    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 21:16 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: 'Camilo e as mulheres espancadas    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:28 | Sexta feira, 2 de dezembro de 2011
    Re: 'Camilo e as mulheres espancadas    Ver comentário
a_Razao (seguir utilizador), 1 ponto , 19:10 | Sexta feira, 2 de dezembro de 2011
Camilo e as mulheres espancadas
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:28 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Como é possível neste século e na Europa ainda existirem situações destas. Afinal pouco ou nada evoluímos depois que saímos da copa das árvores e começamos a por-nos de pé. Não deixa de ser uma vergonha para esses homens, mas também para o País. Fala-se tanto na libertação feminina e afinal na realidade parece ainda estar tão longe. Será que esses homens não têm mãe, irmãs e filhas e acima de tudo vergonha na cara e sentimentos.

 
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LOL!!!
Jolitras (seguir utilizador), 1 ponto , 10:02 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
costumo gostar do que o Sr. Raposo escreve, mas isto foi a coisa mais leviana e escrita à pressa que li nos últimos tempos. Gargalhada imediata!!!! Mas gostei, pq tb sou fã do kitsch!

http://barbarraridades.bl...
 
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"Cuidado, a Alemanha quer deixar o euro"
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:10 | Terça feira, 29 de novembro de 2011

Artigo do jornal Italiano "La Nazione"

"Attenti, la Germania vuole lasciare l'euro".
Il piano segreto: dentro Olanda e Finlândia, fuori tutti gli alti.

=

"Cuidado, a Alemanha quer deixar o euro"
O plano secreto: na Holanda e na Finlândia, já está fora de todos os outros

Esta é a versão italiana e depois segue a tradução para o Português atrás dum tradutor Internet.

"Attenti, la Germania vuole lasciare l'euro"
Il piano segreto: dentro Olanda e Finlandia, fuori tutti gi altri

L'operazione è stata preparata dal prof. Dirk Meyer dell'Università di Amburgo ed è all'esame del governo Merkel. Banche chiuse improvvisamente il lunedì per contentire il giorno dopo l'immissione del Nuovo Euro che si apprezza sul vecchio di circa il 25%.Ma ai tedeschi, la fuga costerebbe

Berlino, 28 nove,bre 2011 –

Il professore si chiama  Dirk Meyer, insegna all´università Helmut Schmidt di Amburgo, l´ateneo più prestigioso della Bundeswehr, le forze armate federali. E' lui che ha concepito il piano di uscita dalla Germania dall'euro, già sottoposto al governodio Angela Merkel.
Improvvisamente, un lunedì , cittadini tedeschi e residenti nella Repubblica federale troverebbero le banche chiuse, per riaprire l'indomani distribuendo le nuove banconote in euro diverse dalle altre,  essendo stampate con inchiostro magnetico. 

segue
 
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    Re: "Cuidado, a Alemanha quer deixar o euro"    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: "Attenti, la Germania vuole lasciare l'euro".    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:22 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: Tenho de adiantar o final do artigo.    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 11:13 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: O link do Jornal Italiano "La Naziome"    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:30 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    "La Nazione" cliquem sobre: quotidiano.net    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 10:37 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: "Cuidado ... - tradução para o Português -    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 11:04 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: Cuidado ... tradução paro o Português    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 11:34 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    O artigo desapareceu mas é fácil encontrá-lo.    Ver comentário
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 21:41 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Re: Camilo e as mulheres espancadas
Manuel Jacinto111 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:28 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Para mim, se elas levam porrada e nao se queixam so se podem queixar delas proprias, ha ai pretendentes suficientes para as acolher :) , ja agora estou disponivel lolol
 
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    Re: Camilo e as mulheres espancadas    Ver comentário
Tito D'alva (seguir utilizador), 1 ponto , 18:14 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
ilusão...
clash (seguir utilizador), 1 ponto , 12:37 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Caro HP, dei por falta da sua crónica no dia de ontem. Ingenuamente, antevi o dia feliz em V. Exa. já não escrevia para cá.
 
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E o outro lado da questão?
J_Cidadao_Preocupado (seguir utilizador), 1 ponto , 17:43 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Existem bastantes estudos recentes que apontam para uma forma ( aliás em franco crescimento) de abuso...imaginem...da parte da mulher. Fora os casos mais caricatos e excepcionais em que dito o macho leva mesmo ( e cala, talvez porque seria "covarde" e "primitivo" reagir)..existem os frequentes, os de abuso psicológico continuado por parte da mulher, que pode abranger as mais variadas formas ( mais ou menos subtis) parece que tal abuso aproveita-se eficazmente de certas "fraquezas intrínsecas" dos machos a que o contexto cultural e valorativo não será indiferente certamente, fala-se muito do lado primitivo e bestial do homem em relação a estes casos sem dúvida repugnantes, mas pouco deste aparentemente novo papel de abuso por parte da gentil e delicada fêmea, em que claro está o homem "civilizado" que não pode, sob pena de ser sub-humano, reagir agressivamente ( nem é necessário pensar em agressão física neste ponto) a certos abusos continuados também entra assim no seu próprio círculo vicioso de passividade ( come e cala). Às vezes tenho a impressão, e perdoem-me o comentário politicamente incorrecto...de que o novo estatuto da mulher, com o qual concordo em princípio na base do igualitarismo, assume no caso de certas mulheres e no presente contexto social, ético e cultural dos países desenvolvidos, certos aspectos muito pouco igualitários em termos de atitude adequada, neste caso a atitude permissível em relação à mulher.
 
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    Re: E o outro lado da questão?    Ver comentário
J_Cidadao_Preocupado (seguir utilizador), 1 ponto , 17:57 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: E o outro lado da questão?    Ver comentário
ckage (seguir utilizador), 1 ponto , 19:06 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
    Re: E o outro lado da questão?    Ver comentário
J_Cidadao_Preocupado (seguir utilizador), 1 ponto , 21:49 | Terça feira, 29 de novembro de 2011
Assim não está bem!
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 23:43 | Terça feira, 29 de novembro de 2011

Cião Enrico,

E' noite alta mas eu gosto dela porque

"La notte porta consiglio" = "A noite traz conselho".

E' verdade. Durante essa, muitas ideias surgem na minha cabeça e encontro muitas soluções aos meus probleminhas.

Decerto os cornos são pesados acima da bola e causam dores insuportáveis.

Os homicídios das mulheres infiéis são muitos, dum número realmente elevado mas há que admitir que a gente toma a sua parte em tudo isto criando um ar irrespirável em torno dele.

A nossa Sociedade não é nada civilizada e a dita gente, se puder, faz com que o facto se realize através de piscadelas, chiste e há mesmo quem tiver a coragem de sussurrar a coisa ao ouvido do marido traído.

E' o mondo do "Vogliamoci tanto bene!" (= Queiramo-nos tanto!) como eu digo sempre.

Sem considerarmos que este pobre homem deve sofrer muito no interior antes de executar este ato criminal.

Porém muitos maridos são adormentados pelo ciúme sem motivo algum (porque este sentimento é congénito) e chegam a imaginar coisas irreais, ainda que a mulher nunca o traísse.

Boa Noite, Portugueses e

Dormem Bem!

ἄѵϑος

 
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