Portugal exportou calçado com um preço médio de 19,49 euros
Ricardo Meireles
Portugal vendeu mais calçado a Itália do que comprou nos primeiros nove meses do ano, o que acontece pela primeira vez, estando também muito perto de 'apanhar' a Espanha, adiantou à Lusa fonte da Associação de Industriais do Calçado.
"A indústria portuguesa de calçado exportou para Itália dois milhões de pares de calçado, no valor de 39,80 milhões de euros e importou 1,8 milhões de pares, no valor de 39,76 milhões de euros", adiantou à Lusa o porta-voz da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS).
Em declarações à Lusa, Paulo Gonçalves considerou que a inversão na balança comercial "é particularmente importante, nomeadamente pelo seu simbolismo", realçando que "é fruto de uma grande aposta no desenvolvimento de produtos altamente inovadores associados a uma grande componente de promoção comercial externa".
Portugal "ter hoje um saldo comercial positivo com o seu grande concorrente internacional, a Itália, significa que o prestígio do calçado português é cada vez maior e chega mesmo a ombrear com a grande referência mundial do setor", sublinhou.
Preço médio de €19,49
Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que Portugal fica ainda a perder ao nível do preço, uma vez que exportou calçado com um preço médio de 19,49 euros e importou a 22,28 euros.
De acordo com a APICCAPS, "a diferença é, no entanto, cada vez menor, à medida que a imagem do calçado português nos mercados externos vai sendo aprimorada".
Os últimos dados relativos às exportações de calçado revelam que "Portugal está igualmente muito perto de 'apanhar' a Espanha" já que, nos primeiros nove meses de 2011, Portugal aumentou as exportações para o país vizinho em 39%, para 135 milhões de euros.
Importações de Espanha crescem
Em contrapartida, no mesmo período, as importações de Espanha, que cresceram 3,2%, valeram 151 milhões de euros.
"A indústria portuguesa de calçado está, assim, muito perto de alcançar um objetivo antigo de ter um saldo positivo com os dois grandes concorrentes internacionais", acrescentou.
Com este objetivo, "mesmo num cenário de grande abrandamento económico generalizado, em 2012, haverá um reforço da promoção externa, com mais de 140 empresas a participar em ações comerciais no exterior, nomeadamente fora do espaço europeu".