18 de maio de 2013 às 23:00
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Budapeste, um modelo enganador para Praga

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Quando os dirigentes do ODS [o Partido Democrático Cívico, conservador liberal e eurocético] querem explicar aos eleitores checos até que ponto o pacto orçamental é prejudicial, invocam o exemplo da Hungria, lembrando como aquele país foi mal e injustamente tratado pela Comissão Europeia.

O primeiro-ministro [do ODS] Petr Necas evocou este exemplo num artigo de opinião publicado no diário "Lidové noviny". Outros, falam dele muito abertamente, como o cronista Karel Kríz que intitulou uma das suas crónicas, publicadas no mesmo jornal, "A Hungria só está a defender os seus interesses".

Em substância, afirma que os grandes Estados europeus derrogam frequentemente os critérios de Maastricht e que os burocratas de Bruxelas, que têm um fraquinho pelos pós-comunistas húngaros, se vingam no pobre Governo de Orbán. Barroso é um antigo maoista e Ashton uma ativista brejneviana. A mensagem é clara: Em Budapeste, defende-se Praga. E se não tomarmos a defesa dos húngaros, é bem possível que rapidamente Bruxelas se vingue noutro país qualquer, no nosso, por exemplo.

Orbán diminuiu as reformas, especialmente as dos militares, dos polícias, etc... A supressão do segundo pilar das pensões [as reformas privadas foram nacionalizadas] não mudou fundamentalmente nada (mesmo sendo, ao que parece, considerado um erro cometido contra os ricos). A taxa de reembolso de empréstimos indexada à taxa inicial é perfeitamente compreensível. Orbán defende apenas os seus interesses. Quer apoiar a burguesia e o mundo dos negócios, porque, caso contrário, o seu país ter-se-ia tornado numa colónia. E o mesmo aconteceria à República Checa, onde o capital escorre como água num cano roto. Assim se exprime Karel Kríz.

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