Bruno Pinto (Pidá), Mauro Santos, Fernando Martins e Ângelo Miguel Ferreira foram hoje colocados em prisão preventiva na sequência das detenções, ocorridas domingo, no âmbito da operação "Noite Branca" desencadeada pela PJ/Porto.
Segundo fonte judicial, Bruno Pinto, mais conhecido como Bruno Pidá e alegado líder do gangue da Ribeira, foi acusado de dois crimes de homicídio voluntário (Aurélio Palha e Ilídio Correia), associação criminosa, tráfico de estupefacientes, receptação e posse de armas proibidas.
O seu alegado braço direito, Mauro Santos, foi também acusado de associação criminosa, homicídio voluntário, tráfico de estupefacientes, receptação e posse de armas proibidas, o mesmo sucedendo a Fernando Martins, conhecido como "Beckham", e Ângelo Miguel Ferreira, conhecido como Timé.
Sandro Onofre, um dos cinco suspeitos que teve de esperar por hoje para saber as medidas de coacção que lhe seriam aplicadas, foi libertado sob termo de identidade e residência.
Bruno "Pidá" foi ouvido terça-feira, durante três horas, pela juíza Anabela Tenreiro do 1º Juízo do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, tendo negado os crimes que lhe foram imputados.
Entre os arguidos que terça-feira saíram do TIC sujeitos às medidas de coacção mínimas- termo de identidade e residência e/ou apresentação quinzenal às autoridades - contam-se João Gonçalves, suspeito de ter cedido uma carrinha usada no homicídio do empresário Aurélio Palha, a 27 de Agosto.
Paulo Aleixo, indiciado de envolvimento em associação terrorista e posse de arma, também saiu em liberdade, tal como José Marques Silva, Fábio Barbosa, Pedro Guerra e Fernando Cavadosa.
A acusação de ligação a rede terrorista, que o MP tentou fazer valer no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, não foi acolhida pela juíza Anabela Tenreiro.
Já hoje de manhã, o advogado Luís Vaz Teixeira, que defende Bruno Pinto (Pidá) e mais cinco dos onze detidos no âmbito da operação "Noite Branca", sustentou que a alegada acusação de terrorismo devia ser produto de "algum engano".
"Deve haver algum engano, suponho que não há aqui nenhum detido acusado de terrorismo", afirmou o advogado.
Confrontado com o facto de alguns dos advogados terem comentado a acusação de terrorismo, feita pelo MP, o advogado estranhou a sua aplicação a este caso e considerou que "cada advogado pensa como quer, como pode e como sabe".
"Não estamos no Afeganistão, nem no Iraque, nem em qualquer país onde haja terrorismo", afirmou.
Luís Vaz Teixeira lamentou ainda as condições da sala reservada aos detidos no TIC/Porto, que considera "uma masmorra húmida, gelada e infecta, indigna até dos países do terceiro mundo".
Os detidos são obrigados a comer no meio de excrementos", frisou Vaz Teixeira.
Disse ainda que eles tiveram que queimar papéis para, por momentos, escapar ao cheiro dos excrementos.
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, garantiu hoje que confia "plenamente" na investigação policial que está a ser desenvolvida pelas autoridades em relação aos crimes de violência ocorridos no Porto.
"Confio plenamente na investigação que as autoridades judiciárias e o órgão de polícia criminal competente estão a desenvolver para responsabilizar os culpados pelos crimes graves e para desmantelar associações criminosas", afirmou hoje Rui Pereira, na Guarda, no final de uma reunião realizada com todos os Governadores Civis.
Em relação às detenções já efectuadas pela Polícia Judiciária (PJ), Rui Pereira frisou que "a PJ sob a orientação do Ministério Público, tem desenvolvido uma actividade proficiente que eu tenho apreciado".
O governante também referiu que após os últimos acontecimentos relacionados com criminalidade violenta, ocorridos no Porto, "têm sido dadas indicações para reforçar o patrulhamento e a PSP, em especial, tem prestado uma colaboração muito estreita à polícia que é competente em regime de exclusividade para investigação criminal, que é a Polícia Judiciária".
"Pela parte das forças de segurança há uma actividade intensa, que, inclusivamente, se tem espelhado em acções conhecidas para detectar armas, para detectar drogas e para restituir em pleno, o sentimento de segurança aos portugueses", concluiu o ministro.
Pidá, o "50 Cent" da Ribeira
Bruno Pinto (Pidá), 30 anos, principal suspeito das mortes na noite do Porto, apareceu no portal "Hi5", vestido como o cantor americano "50 Cent", um nome inspirado num menor que fazia assaltos em Brooklyn, Nova Iorque.
No "Hi5", Pidá surge empunhando uma pistola de calibre 9 milímetros, provavelmente a mesma que a Polícia Judiciária encontrou domingo na sua residência.
Aparece também num vídeo amador ao volante de um Porsche, alegadamente emprestado pelo líder dos Superdragões, Fernando Madureira, acompanhado de adolescentes exibindo pistolas.
As suas ligações aos Superdragões, a mais influente claque do FC Porto, vêm de longe.
Em Dezembro de 2004, quando Pinto da Costa entrou no Tribunal de Gondomar para ser interrogado no âmbito do processo Apito Dourado, Pidá é filmado e fotografado em pose que indicia estar a fazer a segurança do dirigente portista.
Mas o clube "azul-branco" já garantiu, em comunicado, que Pidá estaria lá noutra condição, a de admirador do presidente portista.
Pidá era amigo de infância de Ilídio Correia, um dos seguranças em cujo homicídio estará alegadamente envolvido.
Brincavam juntos e o que os separou, já adultos, foi mesmo a disputa de territórios na segurança nocturna da noite do Porto, de que se viriam a tornar figuras de referência.
Na sequência da sucessão de homicídios ocorridos este ano - seis nos últimos seis meses - Pidá começa a ser associado aos crimes e resolve, então, falar à TVI.
Proclama inocência, diz que "alguém tem de fazer alguma coisa para parar isto", declara-se ameaçado e mostra-se disposto a colaborar com a Polícia Judiciária.
"Eu não vou pagar por coisas que estão a acontecer nesta cidade", diz ainda Pidá, actualmente segurança num shopping de Gaia.
Desde aí fica remetido ao silêncio, fechado em casa e, segundo a companheira, tomava fármacos para dormir.
Até que, domingo, a PJ no âmbito da operação "Noite Branca", vasculha-lhe a casa, encontra uma arma de calibre nove milímetros e põe-lhe um par de algemas.