Breakdance no urinol e mímica na sanita
Nunca percebi a modernice de utilizarem sensores de movimento nas casas de banho dos espaços públicos. Uma pessoa entra contente da vida, ouve aquele clique medonho e pronto ..."já estão a contar o tempo, daqui a nada apaga-se e estou aqui metido em sarilhos. Tenho de me despachar". Faz lembrar as minas que os desgraçados pisam na guerra mas com o efeito contrário. Na guerra os soldados sabem que se mexerem uma pestana ou deixarem cair uma pinga de suor depois de ouvirem o clique ao pisar do dispositivo vão imediatamente pelos ares, já nas casas de banho se não nos mexermos como se tivéssemos tomado uma mão cheia de pastilhas de ecstasy ou sacudirmos violentamente o pirilau ficamos às escuras.
Isto só por si é uma idiotice. Até porque toda a gente sabe que o stress é um forte inimigo da motivação que nos levou a entrar nos lavabos. A pressa é inimiga da perfeição e das necessidades fisiológicas. Não seria nada agradável pensar que enquanto estamos a fazer xixi, na cabine ao lado está um senhor com um cronómetro numa das mãos e a outra no interruptor à espera do segundo x ou y para nos deixar na penumbra com as calças para baixo ou com parte do aparelho reprodutor na mão.
Mas acontece. Por vezes ficamos mesmo às escuras. E depois? Depois, meus amigos, é o disparate. Se estamos no urinol pelas razões óbvias só temos uma mão livre - toca a erguer a dita bem alto como se fossemos o Luisão a pedir fora de jogo ao árbitro auxiliar ou estivéssemos a treinar a coreografia da Dancing Queen dos Abba. Se estamos na sanita é com os dois braços, como se pedíssemos ajuda ao banheiro depois de afundarmos uma gaivota ao largo de Albufeira ou a participar num jogo de mímica com os amigos mas directamente da retrete. É completamente absurdo e só se torna menos mau porque à partida ninguém está a ver. E mesmo que estivesse não iria conseguir vislumbrar patavina porque estaria escuro como breu.
Resumindo: acabem com os sensores nas casas de banho e deixem-nos fazer o que temos a fazer sem parecermos um cão de água a sacudir-se depois de uma ida ao mar.
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