Não há duas sem três. Em 11 meses de Governo, seis ministros do Governo de Dilma Rousseff foram afastados pela Presidente brasileira, e outros dois (Trabalho e Saúde) estão na iminência de cair, por suspeita de corrupção. O Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e o da Saúde, Alexandre Padilha.
Carlos Lupi, ministro brasileiro do Trabalho, é acusado de ter feito em 2009 uma viagem oficial ao Estado do Maranhão a bordo de um avião alugado por um empresário, Adair Lima, que comanda uma rede de ONGs que têm contratos milionários com o ministério do Trabalho Pesam suspeitas também sobre alguns dos seus assessores da pasta, que teriam pedido subordo a ONGs para que continuam a ter convénios com a pasta de que é titular.
Quanto ao da Saúde, Alexandre Padilha, o caso de alegada corrupção não tem a ver diretamente, por enquanto, com o ministro, mas sim com uma licitação feita no âmbito do programa Rede Cegonha, considerada "suspeita" pela Justiça Federal, que já decidiu suspender a assinatura do contrato com a empresa selecionada. O Ministério e a empresa vencedora negam irregularidades.
Os últimos ministros demitidos por Dilma foram o da Agricultura, Wagner Rossi, o do Turismo, Pedro Novais, e, mais recentemente, o do Desporto, Orlando Silva.
Denúncias feitas pela imprensa brasileira
A suspeita que pesa sobre Lupi, relativamente à viagem ao Maranhão - destinada à requalificação profissional naquele estado brasileiro-, foi lançada pela "Veja", na edição da passada semana. Segundo a revista brasileira, as ONGs de Adair Lima foram alvo de investigações pela CGU-Controladoria Geral da União. E o avião utilizado pelo ministro da Saúde pertence a uma empresa de Goiânia (Goiás), sede da ONG presidida por Meira, ou seja, a Fundação Pró-Cerrado.
Além do ministro, estavam no mesmo voo - refere a revista - o então secretário de Políticas Públicas de emprego do ministério, Ezequiel Sousa do Nascimento (que terá conseguido o avião), o ex-governador do Maranhão, Jackson Lago (morto em abril) e o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA).
A "Veja" denunciou também, há poucos dias, que assessores do ministro teriam pedido suborno a organizações não-governamentais para manter convénios com a pasta da Saúde.
Outra revista, a "Isto É", publicou recentemente uma notícia citando um sindicalista que afirmou ter sido coagido por altos servidores do Ministério do Trabalho a pagar uma "portagem" à Central Sindical, controlada pelo PDT (partido do ministro Carlos Lupi).
Outra denúncia foi feita há dias numa reportagem publicada pelo jornal "Folha de São Paulo", que revela que uma empresa chinesa de telecomunicações, Huawei, pagou uma viagem à China a um membro do alto escalão do Ministério do Trabalho.
Aldo Cândido Costa Filho, número dois da Coordenadoria-Geral da Imigração da pasta do Trabalho, fez uma viagem de dez dias à China no mês passado. O funcionário em causa é responsável pela concessão de vistos de trabalho no país.
O vice-presidente da Huawei Brasil - empresa com histórico de problemas envolvendo funcionários no país- João Pedro Flecha de Lima -, saiu em defesa de Aldo, a dizer que ele não sabia quem estava a pagar a viagem, visto que o convite foi feito pelo CEBC-Conselho Empresarial Brasil-China.
Aldo, por sua vez, disse justamente o contrário. Ou seja, que sabia que a viagem era paga pela Huawei, ressalvando que as da sua mulher, que o acompanhou, foram pagas pelo casal.
Ainda segundo a "Folha de São Paulo", uma ONG do Estado de Santa Catarina, presidida por um filiado do partido do ministro Lupi, recebeu recursos financeiros da Saúde mesmo depois de a Polícia Federal ter iniciado uma investigação para investigar suspeitas de irregularidades em convénios anteriores, tendo utilizado o dinheiro para beneficiar empresas de outros militantes do PDT.
De acordo com o relatório inédito da CGU, muitos dos serviços prestados por essas empresas não terão sido pagos, ou foram pagos em duplicado.
Dilma pressiona ministro do Trabalho
Num ocomunicado divulgado depois da reportagem da "Veja", Lupi nega ter viajado num avião de uma ONG, afirmando ter embarcado para o Maranhão num voo comercial regular, e que os deslocamentos dentro do Estado foram feitos numa avião Sênera, e não King Air, alegadamente alugado pelo PDT através do governador Jackson Lago.
Em audiência no parlamento, o ministro do Trabalho negou ter viajado em "aeronaves pessoais.
Numa reunião com o seu partido, Carlos Lupi fez declarações que desagradaram a Presidente. Dilma Rousseff, que exigiu que o ministro se retratasse, e espera explicações "consistentes" de Lupi sobre a viagem.
Nesse encontro, o ministro chegou a dizer que duvidada que a Presidente o fosse demitir, e que só sairia do Governo "abatido a bala".
No parlamento, as coisas não correram melhor para Lupi, cujos esclarecimento sobre as acusações de irregularidades no seu ministério não foram consideradas satisfatórias.
O economista e deputado pelo PDT, José António Reguffe, pediu o afastamento de Lupi até que as investigações sejam concluídas.
Antigo integrantes do PDT, ex-deputado e um dos fundadores do partido, Fernando Bandeira, reuniu-se com colegas e encaminharam à Procuradoria-Geral da República e à Controladoria-Geral da União pedidos de investigação no Ministério do Trabalho. "Esse apoio (da bancada) é provisório. Esperamos que Lupi saia do Ministério e da direção do partido", disse.