21 de maio de 2013 às 22:54
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Brad Pitt a fazer de Fernando Mamede

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
A Tempo e a Desmodo - Brad Pitt a fazer de Fernando Mamede

Um filme de culto não é necessariamente uma obra-prima. Moneyball não é perfeito, mas tem aquele encanto impreciso dos filmes que se transformam em objetos de culto. Este encanto inqualificável nasce da química entre o Adónis, Brad Pitt, e o Badocha, Jonah Hill, os dois protagonistas do filme. De forma, digamos, encantadora, a força da natureza (Pitt) estabelece uma relação de cumplicidade com a força do intelecto (Hill). É como se o quarterback e o geek do liceu começassem a trabalhar juntos. Esta podia ser a fórmula de um fracasso muito pindérico, mas Moneyball funciona, porque a química entre Pitt e Hill é alimentada por essa metralhada de diálogos chamada Aaron Sorkin, que faz aqui o seu segundo filme pós-West Wing, depois de Rede Social.

O encanto do filme continua na forma como descreve as entranhas da sociedade americana. Pitt e Hill são o D. Quixote e o Sancho Pancha do basebol. A personagem de Hill é um geek matemático que consegue ver o jogo através de uma fórmula revolucionária, uma fórmula que muda a percepção sobre a utilidade dos jogadores. Através desta visão científica, Pitt (o manager) e Hill (o adjunto) montam uma equipa de underdogs que mais ninguém leva a sério. No final, não são campeões, mas estabelecem um recorde de vitórias e mudam para sempre o jogo. Ora, esta glorificação do underdog é algo profundamente americano. Como diz Kishore Mahbubani, a América é o único sítio do mundo onde o porteiro olha nos olhos o Sr. Dr. que entra no hotel. Além disso, o filme mostra o interior de uma sociedade que contrata e despede a uma velocidade única, uma sociedade onde a liberdade individual é acompanhada por uma prestação de contas implacável, uma sociedade que premia o risco e a novidade, uma sociedade dura mas com um brilho único.

Mas Moneyball não é apenas uma crónica da sociedade americana. Este filme é, acima de tudo, uma história universal sobre fracasso e redenção. A personagem de Pitt (Beane) era uma grande esperança, mas fracassou como jogador. Era uma espécie de Fernando Mamede do basebol: tinha um talento insuperável, mas bloqueava na hora da verdade. Pensava demasiado. Não por acaso, Beane acaba por procurar uma segunda oportunidade como manager, como alguém que pensa o jogo. E a aposta na visão revolucionária do mago matemático é a forma que Beane encontra para destruir os seus fantasmas. Em Hollywood, a redenção é normalmente servida com planos em câmara lenta e banda sonora a pedir lágrima. Contra a corrente, Moneyball conta a história de uma redenção com uma sensibilidade enxuta.

Comentários 10 Comentar
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'Fracasso e redenção na América
Interessante, mas... quando der no canal Hollywood, vou certamente ver, como tantos outros filmes idênticos que a sua descrição evoca.

Na minha opinião, "a glorificação do underdog" NÃO "é algo profundamente americano". Estas palavras foram certamente mal escolhidas porque se passa precisamente o contrário: o que todos estes filmes perpassam usualmente é a necessidade que quase todos os seus personagens têm, de deixarem de ser underdogs, de deixarem de serem perdedores. O que é recorrente no cinema Americano são os relatos de redenção, a outra metade do seu título. O apelo destes relatos é universal, tanto os encontro em Hollywood, como em Bollywood, mas admito que tenham um papel particularmente importante na cultura Americana: Uma cultura moderna e profundamente desigual (na prática) como esta não se aguentaria sem constantes recordações da sua suposta forte dinâmica social. Se esta é real ou apenas uma janela de escape, é outra história.

PS.: Não vi o filme, logo não posso saber se em concreto se ele faz a glorificação do underdog... mas este termo só faria sentido se o filme retratasse "perdedores" que continuam perdendo, e encontrasse uma fórmula para nos conciliarmos e até mesmo queremos sermos como eles. Mas isso é contrariado pela sua descrição, eles têm vitórias...
Filme de culto?
Moneyball é um bom filme, mas para ser um filme de culto, falta-lhe algo. Para já, o tema é muito específico e como tal, afasta o público de assistir a um bom filme. E depois, a interpretação do Brad Pitt é apenas sofrível (aliás, ele também não é um grande actor).
Não acho que este filme seja um trabalho sobre fracasso e redenção. Acho que este filme (baseado numa história real) é sobre metodologia de trabalho e, sobretudo, que o talento faz a diferença. Com método e trabalho, o clube chegou à final, mas quem venceu foi quem tinha mais talento.
Duas curiosidades:

1 - Registe-se que, ao contrário do expectável, HR não exalta um filme onde o manager é aconselhado por um qualquer vidente, telepata ou exorcista, mas sim por alguém que faz uma análise fria e racional dos dados estatísticos;

2 - Registe-se que, tal como seria expectável, HR faz a apologia da selva pura e dura, onde cada indivíduo mais não é do que um "resultado".

Vi e gostei.

Em especial, porque os "underdogs" dos filmes de hoje já não ganham tudo. São mais credíveis, portanto.

As escolhas das histórias adaptadas para filme, já começam a respeitar níveis de "normalidade" e realidade em que não se pode ou consegue ganhar tudo, mas ainda assim se encontra sucesso e dignidade na "derrota".

Isto poderá dever-se, por outro lado, à escassez de relatos verídicos do "herói perfeito", em especial do herói americano.

Durante muito tempo existiu aquele cliché demasiado acentuado nos filmes americanos em que o tipo ganha tudo o que há para ganhar no fim e em que se glorifica em excesso tudo o que é americano.

Concordo que este tipo de filmes, se bem dirigidos, estão fadados ao sucesso porque todos gostamos daquela história em que o "underdog" é desconsiderado, gozado e até humilhado, mas no fim recebe a sua "vingança".

Sabichão....
Este Sr investigador. sabe de tudo e sobre tudo. Pena é que o governo ainda não tenha reparado nesta enorme sumidade.
No entanto sobre a crónica, tenho que questionar: a quem interessará esta lenga-lenga?
Os destinos das duplas
Não vi o filme. Achei curiosa a analogia encontrada entre os dois personagens principais e a dupla D.Quixote e Sancho Pança e que,pela descrição da cinematográfica,me pareceu um dos habituais exageros do Raposo.
        São frequentes,porém, as mais diversas duplas em todos os domínios da vida e,no plano político, também Portugal pode apresentar a sua : P. Coelho e M. Relvas são figuras que funcionam em tal sintonia que a descolagem do segundo parece cada vez mais difícil...
            Mas, como se sabe, há um destino reservado a todas as coisas. Se a novela incomparável de Cervantes faz há muito parte da História Universal da Literatura e assim continuará,creio, se o Moneyball dificilmente ficará na História da 7ª arte, com toda a certeza a dupla da política irá, inexoravelmente, para o caixote do lixo da História...
os TELEFONEMAS DE RELVAS
Este comentador, sempre muito atento às más despesas públicas, ainda não reparou que Relvas, Ministro do governo PSD, gastava "à tripa forra" o dinheiro dos contribuintes em telefonemas. Segundo a VISÂO, foram cerca de 30000 euros em poucos anos...Porque será esta desatenção??? Tera Raposo também o CARTÃO GOLD RELVAS ???? lol
E' tempo de nós ...


Nesta altura trágica e provocatória para todos os cidadãos da UE, em que somos considerados zero e a cada minuto humildados, pois têm anulado a nossa identidade pessoal e nacional, é hora de nós apropriarmos de novo dos nossos direitos humanos. Cada um está mortinho por tornar a ser português, grego, italiano, etc.
Estamos fartos dos insultos dos prepotentes visto que eles nos tratam pior do que as bestas.
Chegou o tempo do nosso resgate, da nossa liberação de todo o vínculo imoral. E, por isso, deve haver o despertar das consciências.

Colo abaixo três links com o hino: A PORTUGUESA.

o 1^ com o texto dele:

www.youtube.com/watch?v=GqjdtkWNF60&feature=related

o 2^ e o 3^ com duas equipas Tugas, que o cantam orgulhosa e masculinamente:

A equipa Nacional dos Jogadores de Rugby e a Equipa Nacional de Futebol, a qual mete medo a muitos clubes europeus.

www.youtube.com/watch?v=3Od-ZqBPWew&feature=related

www.youtube.com/watch?v=qkasXuGQMZU

Ler mais: expresso.sapo.pt/entregava-o-seu-patrimonio-a-miguel-relvas=f742445#ixzz21qMHQkgx

Das duas uma
1.HR não viu o filme
2.HR gosta de fazer figura de inteligente*

*aquele personagem que sabe sempre para que lado abre qualquer torneira - porque estudou, mas nunca vai descobrir para que lado as torneiras fecham - porque não vem nos livros
Re: Das duas uma Ver comentário
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