O Bloco de Esquerda (BE) considera que a comissão de inquérito à nacionalização do BPN conseguiu apurar que a actividade do grupo SLN/BPN "recorria sistematicamente a operações ilícitas", como branqueamento de capitais e concessão de créditos sem garantias.
De acordo com o documento que o Bloco de Esquerda enviou à deputada relatora Sónia Sanfona, para completar o relatório final da comissão de inquérito, os deputados terão conseguido apurar ainda "a concessão de créditos do grupo BPN com penhor de acções de sociedades do grupo SLN", a "prestação de informação falsa", "falsificação de assinaturas", "venda e compra de acções com contrato promessa de recompra pela SLN com mais-valias garantidas" e o "recurso reiterado a operações offshore para evasão fiscal, entre outros.
O documento, a que a agência Lusa teve acesso, pede ainda a inclusão no relatório final de todas as actas do Conselho de Administração da SLN, a lista completa das personalidades que foram convocadas a depor e não o fizeram, com indicação das razões invocadas, e a informação e documentação recusada.
O Bloco de Esquerda pretende ainda que seja explicitado no relatório o "objectivo do pedido do parecer" sobre o levantamento do sigilo profissional e que foi o PS que aprovou, contra os votos contra dos outros grupos parlamentares, que não fosse apresentado recurso para o Tribunal da Relação.
A comissão terá ainda, segundo os bloquistas, apurado que a "multiplicação e diversidade dos interesses e áreas de negócio (...) facilitou e fomentou actividades ilícitas, ilegais e fraudulentas" e pretende referir que o banco tinha nos seus quadros várias personalidades ligadas ao PSD.
Na óptica do BE, é ainda necessário "relativizar o papel colaborante do Dr. Vakil, questionando a sua alegada disposição de mudar as relações com o Banco de Portugal". De resto, os bloquistas afirmam que "Vakil desenvolve uma estratégia de meias verdades, conveniente e compatível com a posição do BdP de actuar com discrição".
Apesar de ser um dos temas mais recorrentes nas mais de 50 audições, o BE afirma ainda que não se pode aferir a titularidade do Banco Insular.
Relativamente à supervisão, os bloquistas apontam ainda a falta de "proactividade" do Banco de Portugal e a "falta de contacto entre as entidades", onde está incluída a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O documento é também crítico para com o Banco de Portugal, considerando que "as respostas enviadas pelo BdP à Procuradoria-Geral da República eram feitas no mínimo essencial" e que o supervisor "limitava-se a analisar a informação de que dispunha, não tendo tido nunca uma atitude proactiva no sentido no sentido de tentar obter mais informação".