Bolt perde namorada, ganha estátua e procura ouro
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O que hoje é uma verdade universal era, há cinco anos, uma dúvida existencial: seria Usain Bolt o melhor corredor do mundo? Pois é, poucos se recordam mas, em 2007, o jamaicano era criticado pelos especialistas em atletismo por ter uma postura muito descontraída. Até demasiado. Por isso, a medalha de prata nos 200 metros do campeonato do mundo foi algo relativizado. Mal: passado um ano, nos Jogos de Pequim, o velocista bateu o recorde mundial dos 100 e 200 metros. O que aconteceu daí para cá? Tudo. E só hoje se verá se valeu a pena, quando chegar ao fim a final da corrida mais aguardada em Londres (21h50).
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A seguir às três medalhas de ouro na China, Bolt ainda fez umas provas para ganhar mais uns trocos e manter a forma e depois teve um período onde se limitou a viajar, dar entrevistas e fazer todas as coisas que não pode fazer em época alta de competição. Ou pelo menos não deve, porque estamos a falar de alguém que come McNuggets antes das provas.
Prova, pausa, preparação - a PPP do jamaicano
Um estudo da Universidade de Oslo concluiu que a marca de 9.69s poderia ainda baixar aos 9.60s. Falharam mas porque foi mais baixa - com os 9.58s nos mundiais de Berlim, Bolt voltou a bater o recorde da disciplina. Mais uma pausa, o regresso à vida normal e... novo ciclo, para preparar o campeonato do mundo de 2011 onde teve a maior desilusão até aqui - uma falsa partida retirou-lhe a hipótese de revalidar o título e tentar baixar mais a marca.
Prova, pausa, preparação. Desde que chegou a Londres, Bolt já se ofereceu ao Manchester United (pediu mesmo que a BBC fizesse chegar a Alex Ferguson um vídeo com os seus dotes futebolísticos), andou pelo cinema da Aldeia Olímpica mas esteve grande parte do tempo na universidade de Birmingham, a treinar longe dos olhares indiscretos e a dormir numa cama ortopédica 'desbloqueada' só para o corredor. Pelo meio, teve direito a uma estátua de cera no Madame Tussauds e inúmeras fotos espalhadas por todos os cantos que tenham referências aos Jogos.
Depois das qualificação de ontem, onde fez 10.09s em ritmo de treino, chega a hora da verdade. Com as meias-finais antes, às 19h45. Bolt perdeu a namorada, Lubica Slovak (uma eslovaca radicada no Canadá que é designer de moda), para se concentrar totalmente num objetivo: bater de novo o recorde do mundo. Diziam os amigos que aquilo era mesmo amor, mas a vontade de arriscar os limites do ser humano superou tudo isso. Terá valido a pena? Logo se verá. Porque ainda há Blake, Gay ou Gatlin no meio de toda a intriga...


EPA
Bolt vai chegar ao ouro?
