Bolseiros de investigação protestam na rua
Os bolseiros de investigação científica vão esta tarde protestar junto do Ministério da Educação e Ciência contra o agravamento das condições de vida e de trabalho, devido aos atrasos nos pagamentos das bolsas, e pelos seus vínculos precários às instituições.
Segundo André Janeco, da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) - que promove a concentração - além dos atrasos do pagamento dos reembolsos do Seguro Social Voluntário (o regime de Segurança Social a que estão veiculados), há pagamentos de bolsas que estão "com seis meses de atraso", o que torna especialmente grave" situações já de si complicadas".
No comunicado emitido pela ABIC, é dito que "a situação dos bolseiros de investigação tem-se caracterizado ao longo dos últimos anos pela incerteza, precariedade, falta de reconhecimento do seu efectivo estatuto laboral, ausência de actualização dos montantes das bolsas desde 2002 e falta de perspectivas de carreira". Uma realidade que André Janeco assegurou ao Expresso ganhar contornos ainda mais graves com a entrada em vigor, no dia 25 de junho, de um novo regulamento.
"Além de serem introduzidas alterações muito negativas, como a redução de subsídios vários, este regulamento traz como novidade o facto de se aplicar às bolsas já em vigor - disse - o que promove a generalização da precaridade".
É por isso que mais logo, às 15h, os bolseiros em protesto vão poder aceder a uma tribuna pública para relatarem as suas histórias e os problemas que enfrentam "na primeira pessoa".
Com esta ação de protesto, dis ainda o comunicado "os bolseiros vêm exigir a dignificação e o respeito pelo seu trabalho, através da existência de contratos de trabalho e melhores condições para quem produz Ciência".
Regras alteradas
Entretanto, a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) revelou hoje que alterou as regras para fixação das datas para o início dos novos pagamentos aos bolseiros de investigação de modo a "minimizar as dificuldades de processamento" que levaram a atrasos nas transferências.
"Para minimizar já no próximo ano as dificuldades no processamento e início das novas bolsas individuais, a FCT introduziu alterações que visam assegurar que a data, proposta pelo candidato, para o início das bolsas é compatível com os tempos necessários ao processamento dos respectivos processos por parte da Fundação", refere um esclarecimento hoje divulgado.
Depois das notícias publicadas sobre as queixas dos bolseiros, a direcção da FCT reconhece que "a grave situação financeira que o país atravessa é geradora de incerteza e forte ansiedade e salienta estar "plenamente consciente de que o não pagamento do subsídio mensal de manutenção no mês proposto pelo bolseiro para o início de bolsa não só prejudica a boa execução do plano de trabalhos como acarreta prejuízos e dificuldades na vida pessoal do bolseiro".


