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Snapchat e Whatsapp: o que aprendemos consigo nas redes sociais?

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Para acompanhar as Legislativas 2015, o Expresso lançou duas iniciativas digitais inéditas em Portugal: um canal de Snapchat dedicado especialmente a uma audiência jovem e um sistema de notificações em Whatsapp para que os nossos leitores não perdessem pitada da campanha. Na reta final de ambas as iniciativas, o que aprendemos com os nossos milhares de seguidores?

Comecemos pelo Expresso Whatsapp. As influências, para a nossa decisão de lançar este serviço, foram os acompanhamentos das eleições indianas que a BBC fez nesta plataforma, o acompanhamento do surto de Ébola também pela BBC e o acompanhamento que o New York Times fez à visita do Papa Francisco à América Latina, no início do verão. As três experiências pareceram-nos muito interessantes do ponto de vista informativo. Interessantes e inspiradoras.

Normalmente, no Expresso, todos os novos produtos que lançamos (site, apps, etc.) são profusamente testados antes de se tornarem públicos. O caso do Whatsapp não iria ser diferente e fomos testando o serviço e afinando a estratégia na redação. Quando nos considerámos prontos, publicámos o número de telefone associado ao serviço (96 628 12 13). Fomos, literalmente, inundados com pedidos de adesão.

O que se passou a seguir era impossível de testar previamente e marcou o desenrolar deste projeto.

A app Whatsapp não é desenhada para o número de envios de uma mesma mensagem, que a adesão ao nosso projeto necessitava. Esta aplicação funciona com listas de mensagens partilhadas que podem ter um máximo de 256 recetores cada. Por questões de defesa dos utilizadores, a Whatsapp exige um tempo de espera entre envios para cada lista (e no final do primeiro dia de funcionamento deste serviço já tínhamos quase dez listas), numa tentativa de evitar o envio de SPAM. Ora, ninguém aqui no Expresso sabia isto. Vários pedidos prévios de ajuda enviados para a Whatsapp não tinham recolhido respostas e, agora, estávamos com um enorme problema entre mãos.

A nossa primeira mensagem, a prometer resultados de uma sondagem Expresso/SIC, em primeira mão, para os subscritores do nosso serviço, foi um falhanço total. A partir do envio para a segunda lista, mais ninguém recebeu a nossa mensagem. Na redação ninguém percebia porquê. E já tínhamos prometido, previamente, que iríamos enviar aquela mensagem com informação uma hora antes de ser lançada no site. Continuávamos a ser inundados com pedidos de adesão ao serviço e, ao mesmo tempo, começámos a ser inundados com queixas: "Então onde está a informação em primeira mão?". Nessas horas, o telemóvel que tínhamos dedicado para este projeto quase que explodiu. Os nossos nervos também.

A Flávia Tomé, uma das gestoras da nossa comunidade digital, lançou-se ao Google em busca por respostas a este problema e encontrou a razão: devíamos esperar cinco minutos entre envios para cada lista.

De repente, o nosso serviço de notificações de última hora tinha acabado de morrer! Dez listas X cinco minutos = quase uma hora.

Indiferentes a todos estes problemas, os nossos leitores continuavam a aderir ao serviço e, por excesso de pedidos, vários dos contatos que gravámos perderam-se. O lançamento deste serviço foi feito a um mês do dia das eleições, a 4 de setembro e era uma sexta-feira!

Nesse fim de semana, parámos o serviço e trabalhámos para resolver todos os problemas. As adesões e as queixas não paravam de chegar. Os contatos que íamos gravando iam-se perdendo. Um pesadelo!

Conseguimos então chegar à fala com o editor de mobile da BBC, que tinha estado por trás das experiências mencionadas acima. A sua simpática disponibilidade e ajuda foram essenciais para que o projeto Whatsapp do Expresso não acabasse à nascença, mas o panorama era ainda pior do que tínhamos pensado. Afinal não seriam sempre cinco minutos entre os envios, mas dez. Finalmente, o desabafo de que a Whatsapp não nos iria facilitar a vida.

Obrigado... upssss e agora?

Agora, mãos à obra. Voltámos a introduzir todos os contatos, repensámos editorialmente o que iríamos fazer com este serviço, mudámos de telemóvel e criámos um método de trabalho organizado para gerir os pedidos de adesão e os envios de mensagens. Na quarta-feira seguinte estávamos de volta com o serviço. Entretanto, foi preciso acrescentar um novo telemóvel e um novo número, para gerir melhor o envio para todas as listas com os largos milhares de subscritores deste serviço.

Nesta semana, enquanto ainda mantemos o funcionamento do Expresso Whatsapp Legislativas 2015 (devido às negociações em curso para encontrar o novo governo), o envio de uma mensagem para todas as listas demora perto de duas horas e meia, usando ambos os telemóveis. O número de leitores que subscreveram este serviço ultrapassa os 3500.

O que fizemos com este serviço é um espelho das dificuldades que encontrámos e da incapacidade do Whatsapp, atualmente, de suportar este tipo de utilização. No futuro, vamos manter o número original ativo e alterar este serviço para que se transforme numa porta de entrada dos nossos leitores para a redação do Expresso, embora não esteja fora dos nossos planos voltar a lançar este tipo de serviço de notificação sempre que a atualidade assim o justificar.

Assim, sempre que tenha alguma informação que deseje partilhar com este jornal, uma foto ou vídeo de um acontecimento importante, use o número 96 628 12 13 através do Whatsapp do seu telefone para partilhar connosco esse conteúdo.

O Snap-Expresso
"E se fizéssemos alguma coisa no Snapchat?", foi assim que Ricardo Costa expressou pela primeira vez uma ideia que andava a matutar: criar um canal Expresso no Snapchat, especialmente dedicado a uma audiência mais nova. As Legislativas 2015 foram, depois, a desculpa óbvia para este projeto.

Nenhum de nós tinha grande ideia de como é que este projeto poderia funcionar ("snap-quê?" ouvia-se pela redação) e chegámos a pensar que se conseguíssemos 500 seguidores, seria um sucesso. Não podíamos estar mais enganados. Felizmente.

Neste projeto, todas as peças caíram no lugar. Primeiro, a sorte de termos a trabalhar na redação a Iryna Shev, uma jovem jornalista, utilizadora nativa de Snapchat. Depois, um apoio essencial da Samsung que permitiu dar pernas para esta aventura avançar.

A linha orientadora do projeto foi facilmente criada: fazer a cobertura noticiosa da campanha e das eleições, numa aposta de que os jovens também se podem interessar pela política do seu país. Como corolário, a certeza de que não podíamos ser paternalistas e combater todos os lugares comuns que existem em relação aos jovens: que não têm atenção, que precisam de conteúdos simplificados, que não apreciam profundidade no tratamento dos temas, etc. Além disto, assumimos um posicionamento criativo e editorial para criar conteúdos de jovens para jovens.

Tal como com o projeto Whatsapp, o snap-expresso (o nosso nome neste canal, adicionem-nos para melhor perceber do que estamos a falar) seria lançado um mês antes das eleições, a 4 de setembro, mas decidimos que faríamos um 'soft-launch' no dia 1 desse mês, para irmos aquecendo. Seriam três dias mais dedicados à exploração do meio, às experiências e a alguma criatividade.

No dia 1 de setembro, ao início da noite, o mundo inteiro chocava-se com a terrível foto do corpo de Aylan Kurdi numa praia turca de Bodrum. O tema era maior do que todos nós e seria impossível não ser tratado no nosso recém nascido canal, que ainda não tinha sido lançado oficialmente. E assim, criámos uma peça jornalística, com princípio, meio e fim sobre o tema da crise dos refugiados na Europa, apostados de que seria um tema incontornável nas legislativas que se avizinhavam (tardou, mas foi um tema que acabou por ser discutido pelos principais partidos portugueses).

As reações da nossa (ainda) pequena audiência foram fantásticas. O tema era importante para eles. Para muitos, foi através do canal Snapchat do Expresso que viram, pela primeira vez, a foto de Aylan e, através dela (como com tantos outros), perceberam a magnitude da crise que bate às portas da Europa. Para nós, ficou a confirmação de que este canal poderia e deveria servir para mais do que fazer bastidores, diretos ou mensagens de 10 segundos. Que era possível fazer jornalismo 'longo' nesta plataforma. Que a nossa audiência estava recetiva a assuntos tratados de uma forma condizente com a atuação deste jornal nos seus vários canais.

O ritmo a que este projeto cresceu foi, a partir do início, muito acima daquilo que julgámos possível. Quando a Iryna foi entrevistada no Curto-Circuito, na SIC Radical, os nossos telemóveis derreteram, tantos foram os pedidos de amizade que recebemos.

Na memória, como pontos 'altos' deste projeto ficam episódios como a selfie que a Iryna tirou, logo no início, com o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, acompanhada da legenda: "C'mon, uma selfie c o primeiro-ministro n e p todos". A Iryna rapidamente mostrava, à audiência e à redação, que não estava aqui para brincadeiras e que o canal do Snapchat do Expresso seria completamente nativo. Sensivelmente a meio desta aventura publicámos um apanhado de melhores momentos no site do Expresso.

A Iryna passou de uma 'miúda com o telemóvel' ser reconhecida pelos políticos portugueses como a jornalista Snapchat do jornal; uma amiga dos nossos leitores, respondendo a questões ou procurando quem pudesse responder, sempre que necessário. Diariamente, o nosso Snapchat recebia pedidos de que não acabasse, após as eleições.

No final das eleições, o projeto Legislativas 2015 no Snap-Expresso deveria acabar. Mas o êxito desta experiência, desta ideia 'louca' do diretor, foi tão grande, os pedidos de continuação foram tantos, que não seria possível 'matar' este projeto. Em apenas seis semanas, temos mais de 4 mil 'amigos' nesta rede social e o número não para de aumentar.

É com muito gozo (e é essa mesmo a palavra certa) que aqui na redação decidimos que este era um projeto para continuar. Como as eleições já lá vão, tirámos dois dias para alinhar algumas coisas e preparar a continuação deste canal (na verdade estamos cheios de ideias!). O novo formato é diferente e o ritmo não será tão exigente (ao que a Iryna agradece porque deve muitas horas de sono à cama e outras tantas ao mestrado).

Mas uma certeza temos: continuaremos a fazer verdadeiro jornalismo nesta plataforma, de forma nativa, sem nunca faltar ao respeito ou às vontades dos nossos leitores. Brincaremos e não hesitaremos em abordar temas sérios. Seremos sempre aquilo que nos moveu no primeiro momento: a prova de que os jovens se interessam pela sociedade, pelo seu país e por o que se passa no mundo. A prova de que vale a pena investir nesta geração que ninguém, a não serem eles próprios, parece entender.