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Por entre as brumas do Tempo

A chegada dos Portugueses ao Japão pôs fim a séculos de isolamento do Império Nipónico, e o mundo exterior, sankoku (três países) até então, passou a ser mencionado como bankoku (dez mil países).

João Paulo Oliveira da Costa

O primeiro contacto ocorreu na ilha de Tanegashima, mas não se sabe a data nem sequer quem foram os seus protagonistas, embora o mais provável seja o verão de 1543. Este acto inaugural de uma relação que alterou o curso da História de uma nação permanece, pois, envolto pelo mistério. Os pioneiros das relações luso-nipónicas não eram oficiais régios e chegaram a bordo de um junco de chineses. Esses homens, afinal, eram aventureiros que percorriam aquelas águas remotas em busca de fortuna, e que foram levados até ao Japão por circunstâncias fortuitas. 

Fernão Mendes Pinto, reclamou para si a proeza de ter participado no encontro de Tanegashima, o que não é certo. No entanto, a Peregrinação, sua obra-prima, dá-nos uma descrição fidedigna dos descobridores do Japão: homens ambiciosos e temerários; interessados no comércio, mas capazes de estabelecer pontes culturais; impiedosos, mas tementes de Deus e desejosos de articular seu destino com o dos missionários que percorriam as mesmas rotas.

A identidade dos descobridores do Japão perdeu-se nas brumas do tempo. Não deixaram rasto na documentação oficial, mas a sua acção ficou registada para sempre nas consequências extraordinárias do seu feito.