Siga-nos

Perfil

Expresso

Antes pelo contrário

O Papa da verdade

O Papa Francisco, modelo moral e político para um ateu como eu, não disse mais do que dizem diariamente todos os padres, bispos, cardeais e homens de fé: que eles próprios são pecadores. Só que desta vez, enumerando pecados bem visíveis na Cúria, estava a falar a sério. O incómodo constrangido da plateia e o animado espanto do mundo apenas nos mostram como, na sua Igreja, há tantos que não percebem os sermões que maquinalmente repetem. Este Papa propõe uma bondosa derrota ao conservadorismo religioso. Quer os católicos mais concentrados na coerência da sua fé do que nas exibições de poder do Vaticano.

Daniel Oliveira

Pensar-se imortal e imune à crítica foi a primeira das 15 doenças que o Papa Francisco enumerou num discurso que ficará seguramente na história da Igreja Católica. O excesso de atividade sem reflexão, outra. A petrificação moral e emocional, que transforma os homens em meros burocratas que tudo planificam para se sentirem confortáveis longe dos riscos da liberdade. A descoordenação e a separação entre "capelinhas". Aquilo a que chamou de "Alzheimer espiritual" de quem perde progressivamente as suas capacidades e fica cada vez mais dependente das suas próprias paixões, caprichos e circunstâncias. A vã-glória, tão evidente na opulência que se vivia naquela sala ou nos jogos de poder do Vaticano. A hipocrisia que permite uma esquizofrenia existencial. A má-língua e os boatos a que se dedicam os conspiradores, o endeusamento do chefe a que se dedicam os carreiristas. A indiferença perante o sofrimento dos outros. Ou a falsa severidade, tão castigadora e presente na Igreja Católica, que não compreende a generosidade do otimismo e do humor. O egoísmo e a vontade de acumular bens materiais, títulos, honrarias. A tendência para viver em círculos fechados. O exibicionismo, sempre associado ao exercício do poder.

Para continuar a ler o artigo, clique  AQUI