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Expresso

Antes pelo contrário

Não queres ter dívidas? Faz-te um homem e larga os estudos.

O presidente da Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa enviou uma carta aos 2300 alunos da instituição na qual sugere que quem não consegue pagar as propinas faça um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos. A instituição bancária dispõe de uma linha de financiamento específica para o ensino superior. Há cerca de 250 alunos com dívidas que atingem os 250 mil euros.

Veja-se bem esta situação: no meio de uma crise económica sem fim à vista, onde o sobre-endividamento das famílias é um dos principais problemas, a solução do presidente de uma faculdade pública é pedir aos estudantes, que têm muito provavelmente o desemprego à sua espera, que se endividem. Para pagarem aquilo que deveria ser um direito.

Quando foram criadas, as propinas eram defendidas como um gesto de justiça social. Todos se lembram de como os estudantes eram pintados: meninos mimados que iam para a escola de carro e passavam as noites nas borgas. E todos se lembram para que serviriam as propinas: dar maior capacidade financeira às universidades. Duas décadas depois, a crise mostra como elas servirão para cortar as pernas aos que tenham menores condições financeiras e que serviram como argumento para o Estado desinvestir no ensino superior.

Perante o estado de emergência nacional em que vivemos, as instituições públicas têm a solução para quem não consegue pagar os seus estudos: endividarem-se. A parte irónica de tudo isto é que para pagar uma dívida a uma faculdade do Estado se vá pedir dinheiro a um banco do Estado. Fica tudo em família. Não queres começar a tua vida a dever aos outros? Faz-te um homem e não percas tempo com os estudos.