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Antes pelo contrário

Israel bloqueado em Netanyahu

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O discurso belicoso, radical e por vezes racista de Netanyahu consegue sempre, à última da hora, que os israelitas esqueçam o crescente isolamento em que se encontram e a sua crise económica. A extrema-direita e os grupos ultrarreligiosos são hoje um bloco poderoso e incontornável. As únicas surpresas partidárias vêm quase sempre de uma classe média concentrada nos seus problemas sociais e económicos. Do lado oposto, cresce uma consciência dos árabes israelitas com a qual o centro-esquerda, por ausência de um discurso alternativo ao militarismo, não tem feito as pontes. Israel está bloqueado e refém do discurso racista e dos movimentos religiosos anti-laicos. Está assim desde o assassinato de Yitzhak Rabin. Neste momento, está bloqueado em Netanyahu.Escreverei sobre a lista VIP na edição semanal do Expresso. 

Daniel Oliveira

Depois do que parecia que iria ser uma noite dramática, Benjamin Netanyahu volta a ganhar as eleições israelitas de forma folgada. Desde 2009 no poder, a que se acrescentam mais três anos, entre 1996 e 1999, o primeiro-ministro israelita parece ser capaz de sobreviver a tudo. Na instável política israelita, é obra. O "mágico Bibi", como é conhecido pelos autênticos milagres eleitorais que vai conseguindo, fez o impossível. Israel nunca esteve tão isolado internacionalmente e vive uma crise económica e social de grandes proporções - que explica o surpreendente resultado do partido de centro-direita Kulanu, que, resultado de uma dissidência do Likud, concentrou aí todo o seu discurso. E, no entanto, Netanyahu aguenta-se.

 

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