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Antes pelo contrário

Eleições nos EUA: Europa suspira de alívio

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Não se trata de fazer transposições das divisões político-ideológicas europeias para os Estados Unidos. Muito menos se trata de eudeusar Barack Obama. Ao fim de quatro anos, Obama cumpriu duas promessas importantes: retirou do Iraque e iniciou uma reforma no sistema de saúde. Mas, no fundamental, foi incapaz de encontrar uma resposta clara para a crise económica. Para isso contribuiu o bloqueio republicano a partir da maioria no Congresso que conquistou em 2010. Contribuiu a inépcia europeia, que impede qualquer solução global. Contribuiu a sua inexperiência executiva. E contribuiu a trágica moleza democrata que contrasta com a perigosa firmeza programática dos republicanos.

Mas ontem, o que estava em causa não era, antes de mais, a vitória da Obama. Era a derrota de Mitt Romney e, mais importante ainda, dos republicanos. Porque aquele partido se tornou num ninho de lunáticos, prontos a fazer o planeta regressar, em plena crise e em versão piorada, para a era Bush. Para o intervencionismo unilateral, a arrogância belicista, a irresponsabilidade absoluta em política externa e o holiganismo ambiental.

E o que estava em causa era não acrescentar à cegueira de Merkel a cegueira de Romney. Com os republicanos de novo na Casa Branca regressaria a mesmíssima política económica e financeira que levou os EUA do banquete em Wall Street ao subprime e à crise financeira internacional, que os portugueses sentem hoje na pele. Esta eleição dizia-nos, como poucas, respeito.

A vitória de Obama não respondia a nenhum dos nossos problemas. Esses terão de ser resolvidos na Europa e sobretudo na Alemanha. Mas a vitória de mais um representante da selvajaria financeira tornaria ainda mais improvável qualquer solução para esta crise. A Europa, que Romney vê como um antro de socialistas, não tem razões para beber champanhe. Mas pode, ao menos, suspirar de alívio.