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Expresso

Antes pelo contrário

Alternância e bloco central. Duas faces de uma má moeda

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Renegociar a dívida e as suas condições de pagamento para ter recursos para mais do que a gestão da nossa agonia. Combater, com políticas salariais, laborais e fiscais, a nossa crónica desigualdade social. Responder às emergências sociais mais importantes, com especial atenção para os desempregados sem apoios e para as famílias endividadas. Reverter as alterações deste governo às leis laborais. Travar o processo de privatizações e a destruição dos serviços públicos. Começar uma verdadeira reforma do Estado e iniciar um combate sem quartel à captura do Estado por interesses privados. Alguém acredita que isto será conseguido por uma mera alternância no poder, de quem vai até às eleições sem se comprometer com nada, ou com um governo de bloco central? Só um abanão no sistema político, que seja consequente e não se limite a querer somar descontentes para ter mais deputados, pode fazer a diferença. O bloco central e a alternância não são duas coisas diferentes. São duas formas de continuarmos bloqueados.

Daniel Oliveira

Perante sondagens que dão menos de um terço dos votos a toda a direita nacional, o que corresponderia à sua maior derrota em toda a história da democracia portuguesa, Pedro Passos Coelho pede maioria absoluta. Não lhe condeno a ousadia, apesar dele saber tão bem como todos nós que se trata de uma miragem. Uma miragem que ele próprio só poderia tornar real se passasse a pasta a outro que reconstruísse a direita nacional. Mais: caso Pedro Passos Coelho ficasse em primeiro, nem ao governo de bloco central poderia aceder, já que esse é o único interdito que todos sabemos existir. O PS ainda não colocou completamente de lado uma aliança com o PSD. Mas uma aliança com Passos Coelho partiria de forma irremediável o PS em bocados e seria o primeiro passo para o transformar no PASOK português. Em resumo, de uma forma ou de outra, o atual primeiro-ministro tem os dias contados. No entanto, compreende-se o seu apelo. Houve alguém que lhe deu espaço para isso. E esse alguém foi António Costa.

 

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