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Expresso

Antes pelo contrário

A insensibilidade dos fanáticos

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A reação do secretário de Estado da Saúde a uma reportagem que descreve a situação de ruptura que se vive diariamente nas urgências hospitalares é o retrato perfeito de um governo programado para uma desconcertante irresponsabilidade perante os efeitos da desestruturação dos serviços públicos. Assim lidam os fanáticos com o sofrimento causado pelo desígnio ideológico que os move. Melhor seria que o doutor Leal da Costa voltasse a fazer bancos. Talvez um banho de realidade e uma sabática da política sejam a terapia para a perturbante insensibilidade de que parece padecer.

Daniel Oliveira

Não vou repetir o texto que escrevi a 29 de janeiro. As razões para o estado das urgências são políticas. Resultam do bloqueio da contratação de médicos nos centros de saúde que tornam o funcionamento de urgências ou impossível ou insuficiente. O número de atendimentos nas urgências dos centros de saúde caiu, nos últimos quatro anos, 75%. Os doentes têm de ir parar a algum lado. Vão para as urgências hospitalares. Também resultam da perda centenas de camas nos hospitais, dos brutais cortes orçamentais, da não contratação de pessoal médico e de enfermagem. Da crescente falta de cuidados continuados, o que deixa muitas pessoas a ocupar lugares nas urgências. Num país que sempre foi "hospitalocêntrico", o corte de cerca de mil milhões no orçamento da saúde, só nos últimos quatro anos, piorou o que já não estava famoso.

 

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