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Sócrates contribui para o moralismo sobre a crise

Portugal não foi intervencionado porque Sócrates era corrupto. Mas quando um ex-primeiro-ministro acusado de corrupção tenta explicar o que aconteceu no tempo em que governava é impossível que as duas coisas não se confundam. E isso contribui para alimentar a narrativa moralista e sem qualquer base económica sobre a crise

Podemos revisitar trezentas vezes o que levou à intervenção externa a que se chamou, não inocentemente, de “resgate” e que se resumiu a transferir a nossa dívida da banca europeia, sobretudo francesa e alemã, com que poderíamos negociar uma reestruturação, para as instituições europeia, com quem isso era impossível. As razões que nos levaram ao estado a que chegámos em 2011 são conhecidas: uma crise financeira internacional; um espaço monetário incapaz de reagir de forma coerente e continuada a esta crise, passando de medidas expansionistas para a austeridade sem cuidar dos efeitos da guinada para as economias mais frágeis; um histórico e pesado endividamento externo, sobretudo privado, do País, que expôs toda a dívida, pública e privada, a aumento exponencial das taxas de juro; e uma economia crescentemente enfraquecida pela adesão a uma moeda desadequada. Claro que este debate não rende. Falta-lhe o lado moralista que torna tudo mais fácil. Aquele em que qualquer economista pouco sério começa as frase assim: “a economia de um país é como a economia de uma família...” Não é. Em alguns casos é exatamente ao contrário da economia de uma família. Mas assim fica mais fácil vender o peixe.

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